Lembra do Clio? O simpático hatchback, vendido entre os anos de 1996 e 2017, marcou época ao levar a Renault a um segmento até então não ocupado por estas bandas, tendo inclusive sido pioneiro em algumas áreas, como os airbags duplos de série em sua categoria.
Inicialmente, o hatch era importado da Argentina, tendo inclusive ficado famoso como “Clio Maradona”, em alusão ao famoso jogador campeão da Copa do Mundo de 1986. Esta primeira fase durou até o ano de 1999, tendo vendido relativamente pouco no mercado brasileiro.
Foi só na virada do milênio, com o lançamento da segunda geração, que o modelo deslancharia na América Latina. Além de alinhado com o carro vendido na Europa, chegava com preços próximos aos de um VW Gol ou Chevrolet Corsa, mas trazendo os já citados airbags de série até mesmo em sua versão de entrada, que contava com para-choques pretos e rodas de ferro com copinho no centro.

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Com os anos, ganhou outras derivações, como a carroceria com duas portas e até um sedã, que não era dos mais harmônicos. Os anos também mudaram bastante a oferta de versões, que foram ficando cada vez mais populares enquanto o carro envelhecia.
Com o então novo posicionamento da Renault na década de 2000, que resolveu apostar em modelos da Dacia, o pequeno foi perdendo espaço em favor do Sandero e do Logan, ainda que continuasse vivo em uma versão bem mais simplificada do que foi no início de sua carreira que durou até 2017.
A vida prolongada também gerou uma reestilização única feita para os mercados latinos. Batizada de Mio, a atualização tentava lembrar o visual do Clio vendido na Europa na época, já em sua quarta geração — duas à frente da vendida no país.

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Terceira geração tinha teto altinho
Lançada no Salão de Frankfurt de 2005, a terceira geração do hatchback apostava em muitas das soluções dos seus concorrentes na época, então influenciados pela mistura de elementos das minivans, como teto mais alto e área envidraçada grande, trazendo ainda a dianteira característica dos Renault dessa época, como no Megane.
Ele também era bem maior do que o modelo vendido aqui, utilizando a mesma plataforma V utilizada nos Nissan March, Versa, Livina e Kicks. Segundo a Renault, o Clio MK3 poderia ter 3,98 (4,23 na perua) metros de comprimento, 1,70 metros de largura, 1,49 de altura e entre-eixos que ia de 2,45 (hatch) a 2,57 (perua) metros.

Pela primeira vez, Clio ganhou carroceria perua
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Como na época a Renault global passou a investir nos modelos Dacia como seus novos carros de entrada, o Clio – e o resto da linha da francesa – teve espaço para ficar maior e mais refinado do que outrora.
Entre seus destaques, trazia o mesmo sistema de chave por cartão do irmão maior Megane, além de ter ganhado pela primeira vez uma derivação perua, não tão comum em modelos nessa faixa de tamanho até mesmo na Europa. Os hatches de três e de cinco portas, assim como a perua, foram vendidos até o ano de 2012.

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Quarta geração apostou em esportividade
Apresentado durante o Salão de Paris de 2012, a quarta encarnação do compacto francês apostou em uma ruptura com tudo o que o modelo fazia até então. A Renault até apostava em versões esportivas do Clio, como a clássica Williams, na primeira, feita em alusão a equipe de F1 da marca, o icônico Clio V6 com motor central de segunda geração e o RS na terceira, que apostava na receita clássica de motor 2.0 16v e câmbio manual, mas o design, em si, continuava conservador.
Nesta geração, ele apostava somente em carroceria de cinco portas e perua, seguindo as tendências do mercado. Uma curiosidade é que ambos ”escondiam” as maçanetas das portas traseiras na coluna C, tal qual a marca faz hoje no Boreal nacional. O carro também estava bem mais baixo, largo e comprido, passando pela primeira vez dos 4 metros.

Portas traseiras tinham maçaneta ”escondida”, tal qual o Boreal
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A versão esportiva também abandonou o motor 2.0 16v — o mesmo do Renault Fluence e do Nissan Sentra — em favor de uma unidade 1,6 litros turbinada, seguindo as tendências de downsizing da última década. Em dimensões, chegava aos 4,06 m (4,26 m na perua) de comprimento, 1,73 m de largura, 1,44 m de altura e 2,58 metros de entre-eixos.

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Quinta geração chegou em 2019
Mantendo sua tradição de ser apresentado em salões, a quinta encarnação do Clio foi revelada durante o Salão de Genebra, em 2019. Sua plataforma passava a ser a CMF, mesma do atual Nissan Kicks, mas em especificação própria para a Renault. O design era uma evolução do modelo anterior, mantendo boa parte de suas características básicas.
A perua, vendida nas duas gerações anteriores, deu seu adeus. Apesar da baixa em carrocerias, a nova plataforma permitiu pela primeira vez que a Renault apostasse em motorizações híbridas para o Clio, utilizando o nome E-Tech, hoje comum na linha de elétricos da francesa. Nas medidas, alcançava 4,05 m de comprimento, 1,79 m de largura e 1,44 m de altura e 2,58 de entre-eixos.
Geração atual aposta na eletrificação e refinamento
Mostrada em Munique (ALE) no ano passado, a geração atual recém chegou às lojas europeias. Sendo mais um extenso facelift do que uma nova geração em si, o novo Clio mudou bastante visualmente, ainda que mantendo boa parte das proporções do seu antecessor.
Segundo a Renault, o novo Clio 2026 tem 4,12 metros de comprimento, 1,77 metros de largura, 1,45 metros de altura e 2,59 metros de entre-eixos, sendo o maior hatch compacto da marca até então. No interior, ele lembra bastante o padrão visto no Boreal, com duas telas destacadas e software desenvolvido pelo Google, além de iluminação ambiente.
Ele também foi responsável pela estreia de um híbrido do tipo pleno (HEV), com um motor 1.8 a combustão e um elétrico. Pelo menos por enquanto, a Renault não fala no retorno de uma versão esportiva – que provavelmente carregaria o nome Alpine – mas não seria surpresa se ela chegasse com um conjunto híbrido mais potente. Aos mais atentos, a cabine do atual Renault Clio, assim como algumas de suas soluções tecnológicas, são bastante similares às do atual Renault Boreal fabricado no Brasil.

Foto de: Motor1 Brasil

Foto de: Renault
E no Brasil?
Por aqui, como sabemos, o Renault Clio deu seu adeus ainda na década passada, após passar anos em sua segunda geração e com posicionamento de carro de entrada. Na época, a francesa o substituiu indiretamente pelo Sandero, nas versões mais equipadas, e pelo Kwid, como carro de entrada.
Nesse meio-tempo, a marca decidiu não contar mais com modelos vindos da Dacia em seu portfólio nacional, voltando a vender produtos mais refinados, como é o caso do Megane E-Tech e o Boreal. Já no andar de baixo, a marca decidiu abortar o lançamento do Sandero de terceira geração e investiu forte no desenvolvimento do Kardian, um SUV de entrada, deixando o Kwid como seu único hatch.
O novo Clio, entretanto, pode ser um indicativo do que podemos esperar para a renovação de meio de ciclo do Kardian, daqui a alguns anos, apostando em uma cabine mais refinada, além, é claro, do sistema de motorização híbrido.
