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A segunda noite do Carnaval de Santos 2026 reuniu fé, cultura popular e emoção na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz. Entre a noite de sábado (7) e a madrugada de domingo (8), oito escolas dos Grupos de Acesso e Especial levaram à avenida desfiles marcados por ancestralidade, narrativas populares e forte envolvimento comunitário.
Pelo Grupo de Acesso, desfilaram Brasil, Imperatriz Alvinegra, Dragões do Castelo e Unidos da Zona Noroeste. Já o Grupo Especial contou com Padre Paulo, Mocidade Amazonense, X-9 e Unidos dos Morros, responsáveis por encerrar a programação. No dia anterior, sete escolas abriram os desfiles oficiais do Carnaval santista.
Ao longo dos dois dias, 15 agremiações mostraram organização, garra e dedicação. Cada componente defendeu seu pavilhão com entusiasmo, enquanto equipes de apoio garantiram o andamento dos desfiles e a segurança do público.
A escola campeã será conhecida na próxima terça-feira (10), a partir das 12h, durante a apuração no Teatro Municipal Braz Cubas. Os jurados avaliam quesitos como bateria, harmonia, enredo, samba-enredo, fantasias, alegorias, adereços e comissão de frente.
Com o enredo “No Puro Sangue do Maior São João”, a Imperatriz Alvinegra levou à avenida a força das festas juninas e da cultura nordestina. Mesmo sob chuva, a escola criou um grande arraial carnavalesco ao unir religiosidade, música e tradição popular. A comissão de frente destacou a literatura de cordel, enquanto alegorias exaltaram santos juninos, comidas típicas e as quadrilhas. São Vicente, reconhecida como Capital das Quadrilhas Juninas, ganhou destaque na narrativa.
A Dragões do Castelo apresentou o enredo “Não adianta mandinga, muito menos olho gordo…” e transformou a avenida em espaço de fé e axé. Patuás, banhos de ervas, simpatias e figuras ancestrais como Exu, Xangô e preto-velho marcaram o desfile. Com cerca de 800 componentes, dois carros alegóricos e 10 alas, a escola entrou na passarela às 21h14 e mostrou força na busca por uma vaga no Grupo Especial.
A Unidos da Zona Noroeste levou para a avenida um desfile político e histórico, com foco na resistência da população negra e na crítica à falsa abolição. O samba abordou ancestralidade, organização coletiva e luta por dignidade. Setores como Liberdade de Mentira e Memória Venceu reforçaram a importância da educação, da cultura e da espiritualidade negra na construção de um futuro mais justo.
A Sangue Jovem apostou na emoção ao reeditar o enredo campeão “Santos Futebol Clube – O Maior Espetáculo da Terra”. A escola transformou a passarela em um grande estádio ao contar a história do Peixe, eternizar ídolos e exaltar conquistas. A homenagem a Pelé emocionou o público e reforçou o orgulho santista. Com cerca de 700 componentes, a agremiação buscou retomar o caminho das vitórias.
A Mocidade Independente do Padre Paulo apresentou “Guerreiro Menino e a Jornada ao Eldorado Social”, em homenagem a Alex Tadeu Alves Rosa. Com aproximadamente 1.200 componentes, a escola destacou o esporte, a cultura e a educação como ferramentas de transformação social. O desfile reforçou a mensagem de esperança e valorização da juventude das comunidades.
Com o enredo “Enawenê Amazonawê – O Feitiço Amazonense Tem Poder”, a Mocidade Amazonense conduziu o público por mitos, rituais e fantasia. Curandeiros, amuletos, magia cigana e personagens do imaginário infantil deram forma a uma narrativa que terminou com o carnaval como o maior encantamento coletivo.
Atual campeã, a X-9 Pioneira apresentou “Eu vim aqui para te mostrar que o mar está em todo lugar!”. A escola defendeu a preservação dos oceanos e a sustentabilidade ao destacar biodiversidade, reaproveitamento de materiais e consciência ambiental. Mesmo sob forte chuva, a comunidade manteve a energia e reforçou a conexão entre natureza e samba.
A Unidos dos Morros fechou os desfiles com “O Bicho Nosso de Cada Dia – Um Jeitinho Brasileiro de Sonhar”. Com sátira e irreverência, a escola contou a trajetória do jogo do bicho como fenômeno cultural popular. Fé, sonho e cotidiano se misturaram em um desfile que exaltou a criatividade e o imaginário do povo brasileiro.
Nas arquibancadas, o público deu o tom da festa. A aposentada Maria Mendonça, 69, destacou a paixão pela X-9. Já Gabriela Aparecida, 42, definiu o carnaval como sinônimo de felicidade, família e tradição.
A Guarda Civil Municipal atuou com 110 agentes por noite em apoio à Polícia Militar. A Secretaria de Saúde mobilizou equipes médicas, ambulâncias e motolâncias. A Passarela contou ainda com sala de acolhimento para mulheres e limpeza contínua após cada desfile.
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