Em uma operação de alta complexidade técnica e operacional, a Gelog realizou, com sucesso, a subida do Sistema Anchieta-Imigrantes utilizando um caminhão 100% elétrico. O modelo Sany de 588 kW transportou dois contêineres em uma composição de nove eixos com uma carga de aproximadamente 50 toneladas.
De acordo com a empresa, a utilização de um veículo elétrico em um dos trechos rodoviários mais desafiadores do país representa uma ruptura com o modelo tradicional baseado em combustíveis fósseis e aponta para um novo patamar de responsabilidade ambiental no transporte de cargas pesadas.
“Mais do que uma conquista tecnológica, esse movimento reflete a visão de negócios da Gelog. Estamos investindo hoje na logística que o mercado vai exigir amanhã”, pontuou o presidente da companhia, Adriano Fajardo.
Em comunicado, a Gelog destacou que o projeto envolve não apenas o uso de um caminhão elétrico de alta potência, mas também planejamento de rota, engenharia logística, gestão de risco operacional e integração com a cadeia de clientes. O resultado é uma operação robusta, segura e com impacto ambiental drasticamente reduzido.
OUTROS TESTES DA GELOG
No entanto, esse não é um teste isolado. Recentemente, a Gelog realizou a subida da serra com um caminhão elétrico carregado com contêiner, em operação real, com destino a Paulínia (SP).
Agora, a companhia dobrou a aposta e a carga. De acordo com a empresa, isso prova, na prática, que a logística sustentável não é mais uma promessa de futuro, mas uma realidade operacional viável.
ALTA EMISSÃO DE CO2
A iniciativa da Gelog coincide com um dado alarmante sobre o transporte rodoviário brasileiro. Divulgado em dezembro de 2025, o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, ano-base 2024, revelou que o setor emitiu cerca de 270 milhões de toneladas de CO2 no período.
Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Ministério dos Transportes, com organização técnica do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), o levantamento também revelou que caminhões respondem por 40% dessas emissões.
No entanto, uma pesquisa da Escola Politécnica (Poli) da USP indicou que caminhões brasileiros podem emitir até 35% menos CO2 por carga transportada do que modelos europeus, quando a análise considera o critério de emissões por tonelada-quilômetro.
