Com data marcada para chegar ao mercado brasileiro, a chinesa Changan está com tudo pronto para desembarcar por aqui com o grupo CAOA. Mas, ao contrário do que muita gente possa imaginar, a marca já está presente por aqui há alguns anos. E de forma bem inusitada, diga-se.
E não, não estamos falando da época em que o grupo chinês vendeu por aqui, durante meados dos anos 2000, pequenos caminhõezinhos com a marca Chana, durante a primeira ”invasão” dos modelos chineses no Brasil. Nem precisa dizer que a marca foi obrigada a mudar de nome, o que ocorreu em 2011.
Peugeot, Fiat e Ram
Na verdade, a Changan foi um dos primeiros produtos feitos em parceria com um grupo ocidental que foi vendido em volumes por aqui, com a criação das picapes Peugeot Landtrek, Fiat Titano e, mais recentemente, também da Ram Dakota. Todas elas tem origem em uma picape feita pela francesa em parceria com a Changan, chamada originalmente de Kaicheng F70 e lançada em 2019.
Esse é o motivo, aliás, de a Titano parecer muito mais um produto Peugeot do que algo feito originalmente pela italiana. Da Landtrek, a Titano é virtualmente idêntica, mudando logos, grades e cores. De resto, são iguais. O primeiro motor oferecido no modelo Fiat, inclusive, era um Blue HDI de origem francesa.

Foto de: autohome.com.cn

Foto de: Motor1 Brasil

Foto de: Ram
Voltando a Kaicheng F70, o modelo originalmente lançado em 2019 também era quase igual a Landtrek, mas com dianteira levemente modificada e grade maior, levando o letreiro Kaicheng, cromado e em maiúsculo. As versões exportadas para outros mercados eram rebatizadas como Hunter, nome que acabou sendo adotado também na China posteriormente.
Na motorização, diferente das versões PSA e posteriormente Stellantis, utilizava um 1.9 turbodiesel D20TCIE de cerca de 150 cv e parcos 35,7 kgfm de torque, sempre junto de um câmbio manual de seis marchas da Getrag.

Changan Hunter com facelift
Interior atualizado parou na Dakota
Com o tempo, o projeto evoluiu e ganhou mais propulsores e também refinamento. É ai que entra a Ram Dakota, a última filha do mesmo projeto e que utiliza o interior atualizado da picape chinesa, e que já nasceu com painel modificado, com acabamentos sensíveis ao toque em mais regiões, além de duas telas em posição destacada no cockpit.
Desde 2023, a picape sofreu uma modificação visual na dianteira, deixando de ser essencialmente uma Titano com grade diferente para ter visual próprio, mais limpo e com faróis em T como nos SUVs da marca, dando destaque para uma grande grade em preto brilhante e detalhes cromados. Chega a ser bem futurista, principalmente quando comparada a traseira, que mudou bem menos.
A última grande atualização da picape também aconteceu no campo da motorização, ganhando um conjunto híbrido plug-in. Nele, o motor 2.0 turbodiesel de até 190 cv recebe a ajuda de dois motores elétricos, um em cada eixo, com uma bateria de 31,2 kWh recarregável por fonte externa.

Foto de: autohome.com.cn
Nunca diga nunca
Apesar de a CAOA estar focando todas as suas atenções nos SUVs e nos modelos luxuosos da família Avatr, existe a possibilidade de que a Changan venha a contar também com sua versão da picape por aqui. Não seria nem a primeira vez que as versões convivem juntas, visto que outros mercados, como o Chile e a Argentina, as vendem normalmente.
Como as primas vendidas pela Stellantis apostam na motorização diesel de origem própria, não seria surpresa se a Changan resolvesse apostar aqui justamente nas configurações eletrificadas, apostando em um nicho diferente das versões Fiat e Ram.
