Além de estar à frente de uma empresa responsável por ser aceleradora de franquias, a Promart, Eduardo Morita, 56 anos, aglutina discussões em um fórum de comércio entre brasileiros e até hispânicos, a BeLinked. Há mais de dez anos vivendo nos Estados Unidos, ele traça um preciso panorama do fluxo de imigração de empresários brasileiros que procuram o país para investir seus negócios já consolidados nos trópicos. Seu projeto de ser o “apoio” inicial desses investidores verde-amarelos surgiu em 2017. Aproveitou a série de conhecimentos adquiridos sobre o mercado americano (como funcionavam as suítes, os advogados, as leis, consultores do mercado financeiro), adquiridos numa antiga empresa, para atrair novos investimentos. “Percebi uma carência, sobretudo de empresários brasileiros que já estavam há anos aqui. Eles tinham a ideia, o negócio já estabelecido, mas não sabiam como expandir”.
Morita diz que a situação mais comum por lá é alguém olhar para o negócio em franco sucesso e já chegar oferecendo: “Não quer um sócio? Eu quero entrar de sociedade com você”. É aí que entra seu trabalho, o de montar um modelo de franquia. “O franqueador, que já tem o know-how de como operar, passou por anos de erros e acertos até chegar naquele modelo”, diz. Além da atuação no desenvolvimento de marcas e operações brasileiras nos Estados Unidos, a Promart também prepara uma experiência imersiva voltada a empresários e investidores interessados em compreender, na prática, o funcionamento do ecossistema empresarial americano. Dos dias 23 a 27 de julho a empresa realizará, no Sheraton Disney Springs, em Orlando, imersão estratégica com foco em negócios, expansão e franchising, incluindo visitas técnicas a operações e franquias que vêm se destacando no mercado norte-americano. A proposta é aproximar empresários brasileiros do ambiente de negócios americano por meio de experiências in loco, networking e acesso a cases reais de expansão internacional. A seguir, o bate-papo.
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O que tem feito tantos empresários brasileiros investirem nos Estados Unidos? Há alguns anos atendo brasileiros que têm interesse de dolarizar o patrimônio. Eles são prósperos no Brasil, sobretudo no ramo de franquias. A questão fundamental é essa. A partir do momento que ele entende que o trabalho é o mesmo e o dólar é uma moeda mais forte, percebe que, tecnicamente, vai ganhar cinco vezes mais fazendo a mesma coisa que já faz no Brasil. E também pela marca dele ficar mais conhecida, mais forte aqui, pelo tamanho do poder de consumo da população.
Há outras vantagens? Também pelas condições tributárias e a política trabalhista. Uma das grandes vantagens é um certo liberalismo na mão de obra. É simples: trabalhou, ganha; não trabalhou, não ganha. Esse protecionismo burocrático que existe no Brasil inibe o empresário de contratar mais gente, porque ele fica preocupado com tudo que pode acontecer pela parte trabalhista. Isso acaba represando o instinto do empreendedor no Brasil.
Como é o comparativo no encargo de impostos? No Brasil, eu montava uma planilha de DRE considerando de 40% a 50% além da folha de pagamento, só para encargos trabalhistas. Se juntar 13º, férias, rescisão, INSS e fundo de garantia, você acaba tendo uma carga de praticamente 50% a mais em relação à folha que foi paga. Aqui não tem essa questão. Aí está a grande vantagem americana: você consegue montar a escala de trabalho dentro da sua conveniência, e também do funcionário. Há uma mobilidade maior de contratação de mão de obra e de escala de trabalho.
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