A vitória da Argentina sobre a Inglaterra na semifinal da Copa de 2026 reabriu uma antiga ferida diplomática após os jogadores exibirem a faixa “Las Malvinas son argentinas”. Em meio à repercussão, o presidente Javier Milei voltou a comentar o tema, sobre o qual tem adotado posições mais moderadas do que a de seus antecessores.
Milei nunca abandonou a reivindicação argentina sobre as Malvinas. Desde a campanha presidencial, em 2023, o libertário afirma que as ilhas pertencem à Argentina, mas sustenta que sua recuperação deve ocorrer exclusivamente por meios diplomáticos. Logo após vencer a eleição, ele declarou que a guerra de 1982 foi perdida e que o país deveria fazer “todos os esforços para recuperar as ilhas pelos canais diplomáticos”.
O discurso foi mantido após assumir a presidência. Em abril de 2024, durante uma cerimônia em homenagem aos mortos da Guerra das Malvinas, Milei classificou como “inabalável” a reivindicação argentina de soberania. Na ocasião, afirmou que seu governo faria uma “reivindicação real e sincera”, em vez de apenas repetir discursos em fóruns internacionais.
A prosperidade virou parte da estratégia. No mesmo pronunciamento, Milei passou a relacionar a disputa territorial ao desempenho econômico do país. “Não há soberania sem prosperidade econômica e não há prosperidade econômica sem liberdade”, afirmou, argumentando que uma Argentina mais forte teria mais condições de sustentar sua posição diante do Reino Unido.
O presidente adotou um tom mais pragmático em entrevistas. Em maio de 2024, em entrevista à BBC, Milei reconheceu que as Malvinas estão atualmente “nas mãos do Reino Unido” e admitiu que “não existe solução instantânea” para recuperá-las. Segundo ele, uma eventual negociação pode levar décadas.
Milei se posicionou contra um confronto direto. “Não vamos renunciar à nossa soberania, nem vamos buscar um conflito com o Reino Unido”, afirmou. Na mesma entrevista, ele disse acreditar que Londres pode aceitar negociar no futuro, ainda que não demonstre disposição no presente. A posição contrastou com governos anteriores. Embora mantivesse a reivindicação territorial, Milei abandonou o tom mais combativo adotado por administrações kirchneristas, que frequentemente resumiam sua posição no slogan de que as Malvinas “foram, são e serão argentinas”. Suas declarações também provocaram críticas de setores nacionalistas, especialmente por reconhecer a situação atual do arquipélago sob administração britânica.
A admiração por Margaret Thatcher aumentou as críticas. Antes mesmo de assumir a Presidência, Milei já havia declarado que considerava a ex-primeira-ministra britânica uma das maiores líderes políticas do mundo. Como Thatcher comandou o Reino Unido durante a Guerra das Malvinas, a posição provocou forte rejeição entre ex-combatentes argentinos, que passaram a questionar a coerência do presidente ao defender a soberania das ilhas.
