Plástico ganha novo olhar no debate ambiental


Poucos materiais despertam tantas discussões quanto o plástico. Presente na conservação de alimentos, no transporte de medicamentos e em diferentes atividades do cotidiano, o material também costuma ser associado aos desafios ambientais.

Uma pesquisa nacional realizada pela Nexus para o Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), com duas mil pessoas entrevistadas em todas as regiões do país, mostra que os brasileiros reconhecem tanto a importância do material quanto os impactos do descarte inadequado das embalagens.

Segundo o levantamento, 6 em cada 10 brasileiros consideram indispensável o uso de embalagens plásticas no dia a dia. . Ao mesmo tempo, 93% reconhecem que o descarte inadequado de embalagens plásticas causa impactos ambientais, enquanto 87% afirmam que elas ajudam a conservar produtos, evitar desperdícios e proteger alimentos e medicamentos.

Para Paulo Teixeira, presidente do Sindiplast, os resultados mostram que a percepção da população é mais abrangente do que normalmente aparece no debate público.

“Os brasileiros entendem que o plástico desempenha funções importantes em diferentes áreas, ao mesmo tempo em que reconhecem a necessidade de reduzir os impactos ambientais por meio do descarte correto, da reciclagem e do fortalecimento da economia circular”, afirma.

 

Embalagens ajudam a reduzir desperdícios

Muito além de facilitar o transporte e o armazenamento, as embalagens cumprem uma função importante na conservação de alimentos, medicamentos, produtos de higiene e diversos itens do cotidiano. Elas prolongam a vida útil dos produtos, reduzem perdas ao longo da cadeia logística e ajudam a evitar desperdícios.

Essa percepção também aparece na pesquisa: 87% dos entrevistados reconhecem que as embalagens plásticas contribuem para preservar produtos e evitar desperdícios.

Segundo especialistas, avaliar a contribuição de um material exige considerar todos os impactos da cadeia, desde a extração da matéria prima, a produção e o descarte.. Esse processo é conhecido como Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), metodologia utilizada internacionalmente para comparar os impactos ambientais de diferentes materiais ao longo de toda a sua cadeia de produção, uso e destinação final.

 

A análise vai além do descarte

A Avaliação de Ciclo de Vida mostra que a comparação entre diferentes materiais não pode se limitar ao momento em que um produto é descartado. Em muitas aplicações, fatores como consumo de energia, emissões de gases de efeito estufa, peso no transporte, durabilidade e capacidade de conservar produtos também influenciam o resultado ambiental.

Estudos reunidos pela campanha Plástico na Real, , mostram que essa análise pode levar a conclusões diferentes das que surgem quando se observa apenas o resíduo. Em algumas aplicações, a substituição do plástico por outros materiais pode aumentar o consumo de recursos naturais, as emissões de gases de efeito estufa e o desperdício de produtos.

As embalagens são um exemplo disso. Segundo estudos da Associação PlasticsEurope , a substituição das embalagens plásticas por alternativas feitas com outros materiais pode elevar o impacto ambiental em até 1.200%, dependendo da aplicação. Isso ocorre porque alternativas mais pesadas demandam maior volume de matéria-prima, mais energia na fabricação e maior consumo de combustível durante o transporte.

A logística também influencia esse resultado. Ainda de acordo com a organização européia, sem embalagens plásticas, o transporte de mercadorias pode se tornar até 13 vezes mais pesado, aumentando o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de carbono ao longo da cadeia.

Outro efeito está na conservação dos alimentos. Além da PlasticsEurope, A campanha Plástico na Real reúne estudos da Food and Agriculture Organization of the United Nations, da ONU, que indicam que a ausência de embalagens adequadas poderia elevar em cerca de 30% o desperdício anual de alimentos, o equivalente a aproximadamente 280 milhões de toneladas descartadas todos os anos. Além das perdas econômicas e sociais, esse desperdício amplia as emissões de gases de efeito estufa – gerando cerca de 1,4 bilhão de toneladas de CO²  emitidas na atmosfera  anualmente. .

Para Paulo Teixeira, esse tipo de comparação reforça a importância de analisar cada aplicação de forma individual.

“Nenhum material é isento de impacto ambiental. Por isso, as escolhas precisam considerar todo o ciclo de vida dos produtos e não apenas uma etapa isolada. Avaliar cada aplicação com base em critérios técnicos é fundamental para identificar as alternativas mais eficientes do ponto de vista ambiental.”

 

O descarte faz diferença

Se a Avaliação de Ciclo de Vida mostra que diferentes materiais devem ser comparados considerando todas as etapas de sua utilização, o descarte adequado continua sendo um dos principais fatores para reduzir os impactos ambientais e ampliar o reaproveitamento dos recursos.

A pesquisa da Nexus mostra que os brasileiros reconhecem esse desafio, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar esse entendimento em prática. Entre os entrevistados, 28% apontam a falta de coleta seletiva como o principal obstáculo para a reciclagem, enquanto 17% afirmam não saber exatamente como separar os resíduos e 9% dizem não conhecer os locais adequados para descarte.

Para Paulo Teixeira, ampliar a infraestrutura de coleta, incentivar a reciclagem e facilitar o acesso à informação são medidas complementares para fortalecer a economia circular.

“Quando o plástico é descartado corretamente, ele deixa de ser um resíduo e passa a ser matéria-prima para novos produtos. A reciclagem permite reduzir o consumo de recursos naturais e ampliar o aproveitamento dos materiais já existentes”, afirma.

Esses e outros estudos integram a campanha Plástico na Real, iniciativa do Sindiplast que reúne pesquisas, dados técnicos e referências científicas sobre aplicações do plástico em áreas como embalagens, saúde, transporte, construção civil e economia circular. A iniciativa reúne pesquisas, estudos e referências técnicas para ampliar o acesso a informações baseadas em evidências e contribuir para um debate que considere tanto a importância do plástico em diferentes setores quanto os desafios relacionados ao seu uso e descarte. Conheça a campanha Plástico na Real em: https://plasticonareal.com.br/

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