A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação, sem restrições, do investimento da American Airlines na Azul. Em parecer enviado ao processo, a área técnica concluiu que a aquisição de uma participação minoritária na companhia aérea brasileira não traz riscos concorrenciais capazes de justificar restrições à operação.
O negócio prevê um aporte de US$ 100 milhões da American Airlines na Azul, como parte do plano de reestruturação financeira da companhia brasileira após sua recuperação judicial nos Estados Unidos. Segundo a análise da Superintendência, a participação da aérea americana não confere poder para influenciar as decisões estratégicas da Azul nem reduz a rivalidade no mercado de transporte aéreo.
A operação, no entanto, ainda não está definitivamente encerrada. Pela legislação concorrencial, a decisão da Superintendência pode ser objeto de recurso ao Tribunal do Cade por terceiros interessados em até 90 dias. Durante a instrução do processo, o Grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, deve apresentar argumentos sobre os possíveis impactos concorrenciais do acordo.
Em manutenção
A Azul iniciou 2026 com sinais de recuperação operacional. No primeiro trimestre, a companhia registrou receita operacional de R$ 5,5 bilhões, alta de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o Ebitda avançou 22,6%, para R$ 1,7 bilhão. A margem Ebitda atingiu 31,1%, acima dos 25,7% registrados um ano antes.
O prejuízo líquido ajustado caiu para R$ 44,4 milhões, uma melhora expressiva frente às perdas de R$ 1,82 bilhão registradas no primeiro trimestre de 2025.
Os números marcam o primeiro balanço divulgado após a conclusão da reestruturação financeira da Azul, encerrada em fevereiro de 2026. Segundo a empresa, o processo fortaleceu a estrutura de capital e criou condições para focar na expansão das operações e na geração de caixa.
