Ford Ranger híbrida plug-in flex roda no Brasil



Nosso leitor Rafael de Oliveira flagrou ontem (11/8), na altura do km 29 da Rodovia Castelo Branco, sentido Tatuí (SP), uma Ford Ranger com camuflagem parcial. Na dúvida sobre o que seria, fotografou como pôde e nos enviou quatro imagens da picape.

Por detalhes como o santantônio, o rack no teto e as rodas, poderia ser uma Ranger mais equipada, como a Limited com motor V6 3.0 turbodiesel. Acontece que, desde o ano passado, já se sabe que uma versão com mecânica bem diferente está a caminho do Brasil: a Ranger Híbrida Plug-in

O detalhe visual mais marcante da versão PHEV, porém, não aparece nas fotos: são as duas portinholas no lado esquerdo da caçamba. A mais próxima da cabine é a do tanque, enquanto a que fica mais perto do para-choque traseiro abriga a tomada de recarga. Atualmente, a Ranger PHEV é fabricada apenas em Pretória, na África do Sul, de onde é exportada para a Europa (Reino Unido, Alemanha, França e Noruega) e a Oceania (Austrália e Nova Zelândia).

No fim do ano passado, contudo, a Ford apresentou duas Ranger PHEV no Brasil, nas configurações Stormtrak e Wildtrak, e confirmou oficialmente sua chegada ao nosso mercado. O modelo será produzido em General Pacheco, na Argentina, e vendido aqui a partir de 2027.



Ford Ranger PHEV será produzida na Argentina

Ford Ranger PHEV ao lado de Jim Farley

Foto de: autoblog argentina

Para o Brasil, uma novidade extra: seu motor quatro-em-linha 2.3 EcoBoost turbo a gasolina será convertido em flex, migrando para uma faixa tributária mais vantajosa do programa federal Mover. Assim, a Ranger PHEV será o primeiro modelo flex da Ford no Brasil desde que a companhia parou de fabricar veículos no país, em 2021.



Flagra: Ford Ranger PHEV roda no Brasil e chega em 2027

Foto de: Rafael de Oliveira

Torque de sobra

A Ranger PHEV sul-africana combina o motor 2.3 EcoBoost turbo a gasolina, de quatro cilindros, com um motor elétrico de 75 kW (102 cv), integrado ao câmbio automático de dez velocidades que já conhecemos das Ranger V6 turbodiesel.

O motor elétrico vai encaixado entre o motor a combustão e a caixa de marchas. A Ford chama esse conjunto de Modular Hybrid Transmission (MHT). Ele atua diretamente na linha de transmissão, podendo mover a Ranger sozinho ou trabalhar em conjunto com o EcoBoost. Não é, portanto, um motor elétrico instalado diretamente nos eixos, como ocorre em alguns híbridos com tração elétrica independente.

O conjunto da Ranger PHEV rende 279 cv de potência combinada e, principalmente, 71,1 kgfm de torque máximo. É o maior torque já oferecido por uma Ranger de produção — superando os 61,2 kgfm do V6 3.0 turbodiesel, de 250 cv.



Flagra: Ford Ranger PHEV roda no Brasil e chega em 2027

Foto de: Rafael de Oliveira

A Ranger PHEV mantém o sistema 4×4 com reduzida e recursos para uso fora de estrada, incluindo o bloqueio do diferencial traseiro. Há ainda modos específicos para administrar a parte elétrica: Auto EV, EV Now, EV Later e EV Charge. Além de reduzir o consumo, o motor elétrico entrega torque instantaneamente, característica muitíssimo útil em situações de baixa velocidade no off-road, com respostas mais imediatas ao acelerador.

A energia fica armazenada em uma bateria de íons de lítio de 11,8 kWh de capacidade útil, instalada sob o piso da caçamba. No caso das Ranger T6 PHEV sul-africanas, a autonomia exclusivamente elétrica fica entre 43 e 49 km pelo ciclo WLTP. A recarga é feita em corrente alternada, com potência de até 3,5 kW, e leva menos de quatro horas para ir de 0 a 100% em condições ideais.



Flagra: Ford Ranger PHEV roda no Brasil e chega em 2027

Foto de: Rafael de Oliveira

A presença da bateria exigiu algumas alterações na arquitetura da Ranger. O piso da caçamba ficou 3 cm mais alto para acomodar o conjunto sem sacrificar a altura livre do solo. Apesar do aumento de peso da picape vazia, a capacidade de carga fica entre 930 e 1.045 kg, dependendo da versão.

A Ranger PHEV pode puxar até 3.500 kg, exatamente o mesmo limite das versões diesel de maior capacidade. Uma novidade é o Pro Power Onboard, que transforma a Ranger em uma fonte móvel de eletricidade.

O sistema utiliza a bateria de tração para alimentar ferramentas, equipamentos de trabalho ou acessórios de camping, dispensando a necessidade de se levar um gerador. Na configuração mais potente, há duas tomadas de 15 ampères na caçamba. Nas Ranger PHEV sul-africanas, o consumo médio combinado (híbrido) fica entre 31,2 km/l e 34,4 km/l pelo ciclo WLTP.



Flagra: Ford Ranger PHEV roda no Brasil e chega em 2027

A Ford Ranger PHEV sul-africana

Foto de: Rafael de Oliveira

O que você pensa sobre isso?

Com a bateria praticamente esgotada, o consumo fica bem mais próximo ao de uma picape convencional. Em um teste da publicação australiana CarExpert, a Ranger PHEV registrou médias entre 11,8 e 12,5 km/l.

Além da Ranger híbrida plug-in, já está confirmada para o Brasil uma nova versão Tremor, que também virá da fábrica de Pacheco, na Argentina, a partir do ano que vem. O motor será o mesmo 2.3 EcoBoost, mas sem o conjunto elétrico. Terá proposta fora de estrada abaixo da Raptor.



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