A urgência de um assunto pouco divulgado é o grande chamariz de um curta-metragem exibido em uma das noites de exibição do CineFest Votorantim. Dirigido por Julio Cesar Mello, A Noite mais Longa da Minha Vida nos leva ao caos emocional de um homem provocado pelo vício de uma droga altamente destruidora, além de apresentar o sofrimento de quem está ao seu redor.

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Sob a perspectiva de uma mãe perdida, sem saber como ajudar seu filho, vamos caminhando junto com a personagem pelas descobertas aflitivas em um submundo que envolve drogas e prazer. Buscando ser o mais profundo possível, a obra, mesmo com conveniências excessivas e com certa falta de harmonia entre elementos narrativos, tenta ilustrar as sensações persecutórias e, principalmente, o isolamento social, construindo um retrato de dor e sofrimento.

Isabel é uma senhora na casa dos 60 anos que vive sua pacata rotina em um casa. Um dia, ela é avisada que seu filho, Gabriel, está passando dias em um motel, envolvido em uma prática de Chemsex (uso de substâncias pesadas para prolongamento do sexo). Desesperada e sem entender direito a situação, ela parte para o local em busca de resgatar o filho dessa situação.

Crítica | ‘Umassuma – Lascas de Memória’ – A finitude da existência como ponte entre os laços dos humanos com a natureza [CineFest Votorantim]

O projeto tenta, a partir da dinâmica familiar fragilizada e por meio de lembranças, criar emoção, recorrendo também às lembranças e a fé, indo de encontro a urgência do tema. Apresenta e persegue a raiz dos problemas, mas perde força e coesão ao longo da projeção, não aproveitando as inúmeras possibilidades criativas que o experimento do formato permite. Ao buscar imagens e movimentos para traduzir os conflitos internos do personagem, encontra reflexões na Síndrome de Truman e outros quadros psicológicos, que podem ser uma boa ferramenta de estudo e debates para quem atua na área.

A Noite mais Longa da Minha Vida vale por apresentar um quadro urgente de saúde pública, principalmente quando pensamos em uma droga que chega cada vez mais forte ao nosso país, avançando por um universo clandestino de dores e sofrimentos.

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