A BMW apresentou o novo iX3, porém a câmera 360° e os sistemas avançados de condução, que já vêm instalados de série, só vão funcionar caso o cliente pague um pacote por assinatura. A estratégia reforça a aposta da montadora em recursos baseados em software, apesar da reação negativa enfrentada em 2022, quando tentou cobrar mensalidade pelos bancos aquecidos.
Segundo a marca, o modelo já deixa a linha de produção com o hardware necessário para operar a câmera de 360° e o pacote Driving Assistant Pro. Ainda assim, o acesso efetivo a esses sistemas dependerá de uma assinatura ativa. O pacote inclui recursos de condução semiautônoma em rodovias e assistências voltadas ao uso urbano, em lógica semelhante à adotada atualmente pela Tesla com seus próprios sistemas.
A BWM admite que a cobrança pelos bancos aquecidos não foi bem recebida, mas afirma que o episódio não alterou sua visão sobre a oferta de funcionalidades digitais de forma opcional. No caso do iX3, a montadora sustenta que todos os veículos já contam com os sistemas instalados, mas que há custos operacionais contínuos associados ao funcionamento dessas tecnologias.

Custos operacionais e ativação posterior
De acordo com a BMW, a manutenção de recursos como assistentes avançados envolve uso de serviços em nuvem, processamento de dados e atualizações constantes de software. Esses fatores, segundo a empresa, justificam a cobrança recorrente para determinados sistemas, mesmo quando o hardware já está presente no veículo.
A BMW não cobrará apenas para o uso da câmera 360 graus e do pacote Driving Assistant Pro. Atualizações de trânsito em tempo real e a suspensão adaptativa são outros exemplos citados. Na Austrália, a suspensão adaptativa pode ser ativada após a compra por 29 dólares australianos por mês (R$ 107), com um período inicial de teste gratuito.
A marca defende que esse modelo permite ao cliente decidir ao longo do tempo quais recursos deseja utilizar. A ativação pode ser feita online, sem necessidade de intervenção física no carro, o que, segundo eles, amplia a flexibilidade durante o período de posse do veículo.

Atualizações remotas e limites do modelo
As assinaturas também estarão vinculadas às atualizações remotas de software. Conforme os sistemas ADAS evoluírem, as melhorias poderão ser distribuídas por meio de atualizações over-the-air aos clientes que mantiverem os planos ativos. Algumas funções, porém, chegarão primeiro a mercados específicos. A BMW confirmou que os recursos de condução semiautônoma serão lançados inicialmente na Alemanha, antes de se expandirem para outras regiões.
Apesar da ampliação das assinaturas, a montadora descarta cobrar por desempenho. Não será possível desbloquear mais potência ou aumentar a autonomia da bateria por meio de atualizações pagas. Segundo a BMW, os veículos devem entregar sua potência máxima desde o início, sem limitação artificial para posterior liberação.
