O Red Bull Bragantino anunciou nesta segunda-feira (23) a aplicação de multa de 50% dos vencimentos do zagueiro Gustavo Marques após declarações machistas direcionadas à árbitra Daiane Muniz. O defensor também não será relacionado para a partida contra o Athletico Paranaense, marcada para quarta-feira (25).
As falas ocorreram no sábado, depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube, resultado que eliminou o Massa Bruta nas quartas de final do Campeonato Paulista.
Em nota oficial, o clube informou que o valor da multa será destinado à ONG Rendar, entidade que atua com mulheres em situação de vulnerabilidade na região bragantina. O Bragantino também afirmou que mantém conversas com a própria organização e com outras instituições de Bragança Paulista para intensificar ações sociais e educativas já desenvolvidas ao longo do ano, ampliando o debate dentro do clube e na comunidade.
O Red Bull Bragantino informa que o zagueiro Gustavo Marques receberá uma multa de 50% do total de seus vencimentos em consequência das declarações machistas feitas contra a árbitra Daiane Muniz, após a partida contra o São Paulo. Ele também não será relacionado para o jogo… pic.twitter.com/ccwj0my73N
— Red Bull Bragantino (@RedBullBraga) February 23, 2026
Falas machistas após eliminação
Depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo neste sábado (21), Gustavo Marques disparou falas machistas contra a árbitra Daiane Muniz.
“Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez. […] Era um sonho da gente chegar na semi ou até na final, mas ela acabou com o nosso jogo. Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para uns jogos desse tamanho, não colocar uma mulher”, disse em entrevista após a partida.
Ainda na zona mista do estádio, Gustavo pediu desculpas a todas as mulheres. O zagueiro também afirmou que foi ao vestiário se desculpar pessoalmente com Daiane.
Federação repudia fala e aciona Justiça Desportiva
A Federação Paulista de Futebol divulgou nota classificando as declarações como “primitivas, machistas, preconceituosas e misóginas”, além de incompatíveis com os valores do futebol e da sociedade.
A entidade afirmou que é “absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero” e reforçou apoio a Daiane Muniz. Segundo a Federação, a árbitra integra o quadro FPF, CBF e FIFA e possui “alta qualidade técnica, correção e caráter”.
A FPF destacou ainda que conta atualmente com 36 árbitras e assistentes e que trabalha para ampliar a presença feminina na arbitragem paulista. Ao final do comunicado, informou que encaminhará as declarações à Justiça Desportiva para as providências cabíveis.
