Caoa Changan: como nova marca quer se distanciar das outras chinesas no Brasil



São muitas as marcas chinesas que estrearam no Brasíl nos últimos tempos, mas a estratégia da Changan para o Brasil é completamente diferente daquela assumida pelas suas conterrâneas. Tão diferente que as vendas no Brasil começarão com carros nacionais e flex. 

A estratégia distinta, porém, começa na forma como a operação foi estabelecida, porque a Changan não dispensou uma parceria com uma empresa local.

Chinesa e brasileira 

Enquanto outras fabricantes chinesas estão estreando no Brasil como subsidiárias das suas matrizes, que financiam totalmente a operação, a Changan estabeleceu uma aliança com a Caoa.

Uma das exigências da empresa brasileira que também representa Chery e Subaru, e que foi responsável por construir a imagem da Hyundai no Brasil, foi que a nova operação se chamasse Caoa Changan. A fabricante chinesa topou. 

Engenharia no Brasil

Changan CS75 Plus em teste no Brasil (Filipe Correa/Quatro Rodas)

Nos últimos dois anos, o Brasil recebeu mais de 100 carros da Changan para testes de rodagem. O esforço envolveu mais de 200 engenheiros da Caoa e da Changan. Essa estreita relação técnica entre as duas empresas tem o objetivo de adaptar ao máximo os carros da nova marca para o mercado brasileiro, com melhorias em suspensão, direção, interface eletrônica e até em termos de acabamento. 

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O esforço de adaptação dos carros também se repetiu na China. O enorme campo de provas da Changan, nos arredores de Chongqing, tem uma pista que simula as agruras das vias brasileiras, com paralelepípedo desencontrado, calçamento de pedra, emendas de via, ondulações e até mesmo uma sequência de lombadas que eles consideram muito altas mas que, para um brasileiro, é apenas normal. 

Changan Uni-T
(Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

Carros flex desde o lançamento

Questionado, em entrevista, sobre como a Changan pretende concorrer com suas conterrâneas, o vice-presidente executivo da Changan, Peng Tao, deu um breve sorriso e detalhou que a fabricante tem 10 centros de pesquisa e desenvolvimento pelo mundo, mais de 24.000 funcionários envolvidos só nisso. Ele ainda emendou que a estreia da marca no Brasil com um carro flex, por si só, é um meio de diferenciação das outras fabricantes chinesas. 

Changan Uni-T
Motor 1.5 turbo da Changan pode queimar gasolina e etanol (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)
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O carro em questão é o Changan Uni-T, que começa a ser vendido no final de março com motor 1.5 turbo flex com 180 cv e 30,6 kgfm. O SUV cupê com porte de Jeep Compass ficou 1 cv mais potente do que na China com a adaptação do seu motor para o etanol.

Carro chinês com motor flex nem é novidade no Brasil. O primeiro foi o esquecido Chery S-18, de 2012, cinco anos antes da Caoa assumir a operação da marca no Brasil. Depois, a JAC também investiu na tecnologia. Marcas chinesas com presença mais recente no Brasil, nomeadamente GWM, BYD e Omoda & Jaecoo dizem ter motores flex prontos, mas ainda não introduziram no mercado.

Produção nacional desde o início

Em vez de começar as vendas com carros importados, a parceria com a Caoa possibilitou que os Changan Uni-T façam sua estreia no Brasil já com montagem nacional. Isso é inédito entre as marcas chinesas, que ou iniciaram suas operações com importados antes de estabelecer fábrica ou apenas anunciaram a intenção de ter produção no Brasil, com previsão de investimento mas sem definir ou anunciar um local. 

Changan Uni-T
Changan Uni-T estreia ainda em março com montagem nacional (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)
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As linhas da fábrica da Caoa em Anápolis (GO), que até meses atrás montavam os velhos Hyundai Tucson e HR, foram adaptadas (também com a ajuda dos chineses) para a montagem dos Changan. Também desde o início, alguns componentes são nacionais e existe o esforço para que mais peças do carro tenham produção local no futuro. 

Carros a combustão antes dos híbridos

Outra estratégia diferente da Caoa Changan está em não iniciar suas vendas no Brasil com um carro híbrido. Seu primeiro carro de volume é um SUV cupê a combustão, enquanto a divisão de luxo Avatr já tem 30 unidades do elétrico Avatr 11 vendidas. Isto, porém, foi pensado friamente. 

Changan CS75 Pro, Plus,
Changan CS75 tem versões a combustão e híbrida plug-in (Henrique Rodriguez/Quatro Rodas)

De acordo com Peng Tao, transformar o motor 1.5 turbo em flex representa um grande investimento e, também, que a estratégia da Changan é de longo prazo. “Não é simples levar tecnologia PHEV ou EREV para o Brasil, e um motivo para isso é que nós respeitamos o mercado brasileiro e a demanda”, diz o vice-presidente. 

“Tendo esse motor flex como base nós, na verdade, podemos rapidamente trazer nossos outros produtos para o Brasil”, completou o executivo remetendo ao contexto da adaptação dos carros da Changan ao gosto do brasileiro. Os primeiros híbridos serão lançados no Brasil ainda em 2026.



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