Da Redação –
Brasília – A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos derrubando o tarifaço aplicado pelo presidente Donald Trump às exportações de uma série de países, entre eles o Brasil “dá um pouco de fôlego aos exportadores brasileiros” mas “não deve ser vista por ninguém no comércio exterior como um retorno à normalidade”.
A opinião é do especialista em Comercio Exterior, Jackson Campos, para quem “o que muda, na verdade, é o humor do comprador, que volta a falar sobre isso, fecha novos contratos” e sublinhou que a decisão abre novamente espaços para o Brasil em categorias de produtos onde somos competitivos, especialmente alimentos e produtos agroindustriais. Segundo Campos, “não há confiança no mercado de que novas tarifas não venham após essa derrota do presidente republicano”.
Para o especialista, “o risco não desaparece completamente, mas apenas se desloca para outro lugar. A questão é que as tarifas se tornaram uma ferramenta política e podem retornar sob outra justificativa legal a qualquer momento, de modo que os exportadores precisam, na verdade, trabalhar com o que pode acontecer. No que diz respeito à agenda, isso traz oportunidades ou carrega perigo. Isso criou uma oportunidade, pois com nossa estratégia de negócios em vigor, durante as tensões entre os EUA e outros parceiros, o Brasil pode ser um fornecedor alternativo e confiável em todas as linhas de comércio onde temos o escopo e a capacidade de entrega para fornecer. Risco porque um dos desempenhos recentes do Brasil é derivado da diversificação do comércio, e a diversificação pode ser reduzida se os EUA estabilizarem as regras em certos segmentos”.
Dependência da China e busca de novos mercados
Na avaliação de Jackson Campos, “isso tem um impacto direto na relação com a China. A China continua sendo uma âncora porque compra em volume e fornece a distribuição, mas a dependência excessiva é um ponto fraco. Se a geopolítica mudar para o lado negativo, ou a demanda diminuir, ou surgirem novas políticas, isso afeta o Brasil instantaneamente. O caminho a seguir é manter a força da China, mas abrir mais mercados e ampliar a agenda. E então a pressão sobre a política comercial brasileira. Este episódio reforça a ideia de que um acordo não é um debate teórico, mas sim um instrumento de competitividade e proteção. O Mercosul-União Europeia é imperativo porque desbloqueia o acesso preferencial, diminui barreiras e cria previsibilidade justamente quando o mundo está se tornando mais imprevisível”.
Jackson Campos considera de grande relevância que o Brasil procure seguir avançando na conquista de outros mercados na Ásia e no Oriente Médio. Segundo ele, “as pessoas que têm mais portas abertas pagarão menos por tarifas, retaliações e mudanças de regras. O Brasil deve intensificar essa agenda e fazer sua lição de casa internamente, porque as oportunidades no comércio exterior não são descobertas em um discurso, elas ocorrem para aqueles que estão preparados para vender com conformidade, rastreabilidade e logística ágil. Mas é importante manter os pés no chão. A política comercial dos EUA continuará sendo usada como instrumento de pressão. O empresário brasileiro precisa trabalhar com cenário, diversificar mercados e reforçar a gestão de risco. O mundo está mais volátil e isso não vai mudar tão cedo”, analisa Campos.
