- Brasil está entre os países da região com maior alinhamento regulatório, impulsionado por normas da CVM e do Banco Central;
- Apesar da alta priorização estratégica, somente 40% das empresas na América Latina possuem liderança dedicada em sustentabilidade;
- Na região, a prioridade para mudanças climáticas e gestão de emissões aumentou 16 pontos percentuais em 2025, alcançando 47%;
Da Redação (*)
Brasília – A agenda ESG no Brasil consolidou-se definitivamente como um pilar de compliance e estratégia corporativa. De acordo com a nova pesquisa ESG Latin America Landscape 2025, 85% das empresas brasileiras afirmam que avançar em governança corporativa e/ou gestão de riscos ESG é sua prioridade máxima para este ano.
O levantamento, realizado por uma das maiores redes globais de Auditoria, Consultoria e Impostos, com mais de 250 organizações em 18 países, cobre 24 setores da economia — com destaque para Serviços Financeiros (20,1%) e Indústria. Sendo o Brasil a maior fatia da amostra, o estudo revela um mercado nacional maduro na intenção, mas ainda em desafio na execução.
Quando analisados individualmente, os dados mostram a força da regulação financeira no país: 76,1% das empresas brasileiras citam especificamente a Governança Corporativa como foco, enquanto 39,1% destacam a Gestão de Riscos ESG. Esse movimento é impulsionado diretamente pelo alinhamento regulatório com normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Banco Central (BCB), que colocam o Brasil como referência técnica na região. Apesar de a governança estar no topo da pirâmide estratégica, o estudo aponta um descompasso estrutural. Em toda a América Latina, somente 40% das empresas possuem uma liderança dedicada à sustentabilidade.
“Isso gera um cenário onde a cobrança por conformidade é alta, mas a capacidade interna de entrega ainda está em formação. Sem uma liderança definida e dedicada nas empresas, muitas acabam tratando o tema apenas sob a ótica defensiva do risco e não da oportunidade de negócio”, analisa Marcelo Conti, sócio-líder de Consultoria e ESG da RSM no Brasil.
Esse gargalo se reflete nos desafios técnicos reportados: 50% das empresas brasileiras relatam dificuldades em medir KPIs ESG ou falta de capacidade técnica interna. Especificamente, 34,8% apontam a complexidade dos indicadores como barreira e 28,3% citam a falta de equipe qualificada.
Clima e IFRS
A pauta climática também ganhou tração significativa. No Brasil, 76% das companhias consideram prioritário reduzir as emissões de gases poluentes e no combate às consequências das mudanças climáticas. O foco prático é a mensuração: 34,8% das empresas nacionais já colocam a medição e redução de Gases de Efeito Estufa (GEE) como meta central. Esse dado nacional supera a média regional (28,4%).
Na América Latina, a prioridade para gestão climática subiu 16 pontos percentuais em 2025, alcançando 47% das empresas.
Outro ponto de atenção trazido pelo estudo é a preparação para as normas internacionais de reporte financeiro de sustentabilidade (IFRS S1 e S2). Apenas 13% das empresas brasileiras se consideram preparadas para essas diretrizes, evidenciando que, mesmo com a priorização da governança, há um longo caminho de adaptação técnica a ser percorrido.
