Por que os carros estão voltando às cores sólidas



Qual carro chamou sua atenção nos últimos meses? Não aqueles estacionados na garagem do seu vizinho ou no seu trabalho, mas aqueles que a marca escolhe a dedo para realmente chamarem a atenção. Basta uma leve observada para perceber que algo está diferente nas cores deles. 

É claro que não estamos falando de uma explosão repentina de tons chamativos, porque nas ruas quem ainda domina são os monocromáticos tons prata, branco, preto e cinza, sem ousadias por parte do público.




Fiat entrou tão na onda das cores que agora segue a regra do ”No Grey”; Grande Panda é maior exemplo 

Foto de: Fiat



Renault 5 Five

No Renault 5, os tons Pop Yellow e Pop Green não são simples homenagens ao passado, mas cores-manifesto para um carro que aposta em memória

Foto de: Renault

Porém, no design de muitos modelos recentes, os fabricantes estão voltando a utilizar cores mais sólidas, diretas e fáceis de identificar – menos sofisticadas do que antes, sim, mas muitas vezes mais eficazes em atrair atenção. 

O primeiro motivo é econômico e industrial. Tintas mais complexas, profundas ou cheias de efeitos exigem processos mais delicados, mais energia e mais controle, enquanto hoje toda a cadeia busca simplificação, eficiência e sustentabilidade. 



Citroen C3 mild hybrid, o teste

No Citroen C3 europeu, grupo aposta em tons pasteis ao lado de branco, cinza e pretos bem mais tradicionais



Dacia Spring (2024)

No primo europeu do Kwid, a Dacia aposta em tons parecidos com laranja 

Por isso, uma cor mais marcada e mais legível pode ser vantajosa em vários aspectos: custa menos para gerenciar, comunica melhor, torna o modelo mais reconhecível e ajuda as montadoras a definir paletas mais racionais e coerentes. 

Culpe os elétricos

Os carros elétricos e os compactos de nova geração também mudaram o gosto. Hoje, muitos modelos querem parecer objetos inteligentes, acessíveis, quase domésticos; nesse contexto, funcionam bem azuis claros, verdes suaves, bege e amarelos mais cheios. 

Não é por acaso que a Fiat chegou a lançar a estratégia “No Grey”, enquanto modelos como Renault 5 ou Grande Panda apostam também em cores-manifesto: não simples opcionais, mas elementos de identidade visual, quase de personalidade. 



Volkswagen ID.buzz consumos reais

No Volkswagen ID.Buzz, o cinza é a única cor sem custos adicionais, mas as tonalidades mais queridas são as como o giallo limone, metalizado e também bicolor, que relembra a velha Kombi

Há ainda um motivo cultural. No mundo digital, uma cor simples é mais fácil de “ler” em fotos, reels, configuradores e renders; um tom muito complexo pode ser lindo ao vivo, mas perder força assim que vai para a tela.

É uma interpretação, mas faz sentido com a forma como os carros são apresentados hoje – afinal, precisam ser imediatamente identificáveis mesmo quando a pessoa está apenas rolando a tela no smartphone.

Marcas arriscam, público nem tanto

O resultado é um paradoxo bem atual: os designers buscam cores mais claras e reconhecíveis, mas o público segue conservador. Na Europa, por exemplo, quase 70% das escolhas ainda são basicamente entre as cores cinza, branco e preto, então a cor forte serve sobretudo para posicionar o modelo. 

Na Itália, essa cautela é sentida há tempos, e o cinza continua sendo uma escolha muito forte; no cenário internacional, porém, o quadro começa a mudar, com o verde em alta e mais atenção a tons inspirados na natureza e na simplicidade. 

Mais do que nostalgia, portanto, é design estratégico: em um mercado em que muitos carros se parecem, a cor volta a ser uma das formas mais rápidas de aliviar as linhas, dar personalidade e fazer o modelo ser lembrado à primeira vista. 



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