Resgatar nomes famosos do passado tem sido uma boa estratégia para as marcas de carros mais tradicionais. É uma forma de criar conexão com um público que vem sendo bombardeado por lançamentos e novidades de todos os tipos. Pois é isso que a Stellantis acaba de fazer para lançar sua nova picape média, a primeira da marca RAM.
O nome Dakota ficou conhecido nos anos 1990 com uma caminhonete da Dodge que teve até produção no Brasil, entre 1998 e 2001, em uma linha de produção erguida pela Chrysler em Campo Largo, no Paraná. Na época, tinham poucas picapes do seu tamanho para disputar um mercado ainda tímido e pouco acessível em preço.
Passadas três décadas, o cenário mudou bastante. Agora o que se vê é uma enxurrada de novos modelos chegando às lojas para disputar vendas. Tem picapes de todos os tipos e tamanhos, e o segmento nunca esteve tão aquecido. Desde 2021 a Fiat Strada é o veículo mais vendido do Brasil, o que deixa claro o valor desse nicho. Em 2024, a Stellantis lançou a Rampage, modelo intermediário feito sobre a base da prima Fiat Toro. Agora, seguindo a estratégia de globalizar a marca RAM, a montadora resgata a Dakota. Porém, desta vez, com um projeto vindo do Oriente.
A nova Dakota foi a saída mais rápida para a RAM adentrar na seara dominada por Toyota Hilux e Ford Ranger. Um projeto adaptado da picape chinesa Changan Hunter, que primeiro deu origem à Peugeot Landtrek e, mais recentemente, à atual Fiat Titano. A primeira não chegou ao Brasil e a segunda ainda não decolou nas vendas. Entretanto, a RAM Dakota chega em uma fase madura, com mecânica moderna, interior renovado e produção em larga escala na fábrica de Córdoba, na Argentina. Além disso, tem a grife RAM, o que pode ajudar na disputa por espaço.

Nova Ram Dakota chega ao Brasil
Foto de: Ram
Neste lançamento, a RAM Dakota chega ao País importada inicialmente em só duas versões. A Warlock é mais voltada ao fora-de-estrada, enquanto a de topo de linha, Laramie, tem visual mais sofisticado e “premium”. O preço inicial de R$ 289.990 é competitivo e coloca nova picape no páreo contra as suas principais concorrentes. Ambas as configurações apostam tudo no diesel e trazem a mesma mecânica, que é compartilhada com a Titano. O motor 2.2 turbo gera 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque máximo a 1.500 rpm, e vem combinado ao câmbio automático de 8 marchas.
A nova Dakota, claro, é 4×4 com bloqueio do diferencial, assistente de descida e reduzida. A tração é sob demanda com modos 4×2, 4×4 Auto e 4×4 Low. Quando configurada no 4×4, oferece quatro ajustes eletrônicos: Normal, Sporte, Snow (Neve) e Mud/Sand (Areia e Lama). No geral, a picape traz um conjunto padrão para categoria, com suspensão independente na dianteira e por feixe de molas na traseira, além da clássica configuração cabine sobre chassi. Os freios são a disco nas quatro rodas, com freio de estacionamento eletrônico por botão, mas sem a função Auto Hold.
Uma das principais novidades da Dakota em relação à prima da marca Fiat é o interior. Diferente da Titano, que repete as linhas da Peugeot Landtrek, a picape da RAM é mais moderna e traz o painel já reestilizado da chinesa Changan Hunter, com duas telas unidas no topo. O acabamento é bem feito, com toda a parte superior emborrachada e macia ao toque. Diferente do anunciado pela marca, não chega a ser luxuoso. Por exemplo, tem peças de plástico estilizadas em vez de detalhes de metal. No console central flutuante ficam os comandos da tração, modos de condução e seletor do câmbio.
Na versão Warlock, a cabine é toda preta, incluindo o revestimento do teto e os bancos. Já a Laramie traz couro marrom combinado com preto, dando um aspecto “premium”. No geral, a diferença entre os modelos é pequena até em relação aos equipamentos. Por exemplo, ambas as versões trazem de série seis airbags, ABS, controles de estabilidade e de tração, ar-condicionado de duas zonas, direção com assistência elétrica, bancos dianteiros com ajustes elétricos, multimídia com tela de 12,3 polegadas, chave presencial com partida por botão, câmeras de visão 360°, faróis e lanternas full LEDs e assistentes ADAS.
Aqui vale um parênteses: o controle de cruzeiro adaptativo não tem a função Stop&Go, que acompanha o trânsito à frente; não há assistente de manutenção de faixa, mas apenas o alarme sonoro; também não está disponível a comutação automática dos faróis alto e baixo, item que faz falta na picape.

Nova Ram Dakota chega ao Brasil
Foto de: Ram
Foram mais de 1.000 km percorridos neste primeiro contato com a RAM Dakota. O Motor 1 participou de uma expedição pelo Pantanal Matogrossense, indo de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, até Corumbá, na divisa com a Bolívia, e Bonito. Pelo trajeto, vias bem e mal pavimentadas, além de muitas estradas de terra, um cenário que provavelmente será muito frequentado pela picape.
Logo de início, chamou a atenção o ótimo isolamento acústico da cabine. Quase não se ouve o motor 2.2 turbodiesel do lado de dentro, mesmo nas acelerações mais fortes, como em ultrapassagens. O câmbio automático de oito marchas também favorece o conforto, com trocas dinâmicas e suaves, sem deixar o motor roncar e girar tão alto. E a direção é até um tanto dócil, quase como a de um SUV.
Um ponto que chamou a atenção foi a ergonomia. A Dakota é bem mais confortável ao volante que a Titano. Ajustes elétricos no banco e a coluna de direção regulável em altura e profundidade permitem achar a posição ideal, independente do motorista. Além disso, os assentos acomodam bem o corpo, com ajuste lombar para o condutor.
Gostei muito do volante de base reta com detalhes em preto brilhante e prata nos botões. O painel também é tecnológico e traz os comandos à mão. Botões físicos para o ar-condicionado logo abaixo da tela multimídia ajudam e facilitam a vida a bordo. Há carregador de celular por indução, além de portas USB dos tipos A e C (são 3 no total). Por fim, o multimídia tem conexão sem fio com celulares Apple e Android, o que facilita muito a conectividade. E há GPS nativo.
E o que poderia ser melhor? Bem, o multimídia não chega a ser super avançado. Há uma boa quantidade de funções, mas nada muito complexo. Porém, é o quadro de instrumentos que fica um pouco aquém do aspecto moderno da cabine. O display tem 7 polegadas e não oferece muitas opções de personalização, apenas exibe dados de bordo no centro da tela, que podem ser alterados. Há dois marcadores fixos nas extremidades que fazem parecer ser uma tela grande, mas os gráficos tem aspecto antigo, como em um relógio Cássio dos anos 90.
No geral, a Dakota chega pronta e bem arrematada para a disputa da categoria. A depender da estratégia e do volume que a Stellantis conseguir trazer da Argentina, pode sim disputar a dianteira contra Hilux e Ranger, e superar outras rivais, como Chevrolet S10 e Mitsubishi Triton. O posicionamento de preços também parece acertado, ficando um pouco acima da Rampage e abaixo de algumas rivais.
Mas o desempenho, embora muito bom, não é referência na categoria, e fica abaixo de modelos como Ranger e Amarok com motores V6. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 9,9 segundos e a velocidade máxima alcança 180 km/h, conforme a ficha técnica. Já a autonomia chega a 864 km na estrada, considerando o tanque de combustível de 80 litros (o mesmo da Titano) e o consumo médio de 10,8 km/l. Já na cidade, a média conforme o Inmetro é de 9,7 km/l.
Em relação às capacidades, a Dakota se mantém na média da categoria. A sua capacidade de carga é de 1.020 kg e a caçamba tem 1.210 litros de volume. A picape da RAM mede 5,36 metros, tem 3,18 m de distância entre os eixos, além de 1,82 m de altura e 1,88 m de largura. Por fim, a Dakota tem bons ângulos de entrada e de saída (27,6° e 26,7º), e ótima altura do solo, com 22,9 centímetros de vão livre. A capacidade de reboque, segundo a RAM, é de 3.500 kg.
Para fechar, o visual da Dakota ficou interessante e chama a atenção. Segundo a Stellantis, a picape foi desenhada no Centro de Estilo de Betim e teve inspiração no modelo da Dodge dos anos 1990. Entretanto, convenhamos, as linhas não são lá muito parecidas. A nova Dakota tem visual mais horizontal e menos abaulado, e dimensões mais avantajadas. Um detalhe legal são as luzes dinâmicas de LEDS nas setas, e a barra (também dinâmica) que une os faróis na versão Laramie.
Será que a nova RAM Dakota vai ser um grande sucesso? Conte o que achou nos comentários!
