Demanda por viagens internacionais corporativas cresce 28% no 1º semestre, diz agência


A demanda por viagens internacionais corporativas avançou cerca de 28% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, apesar da alta das tarifas aéreas, segundo levantamento da Tour House Viagens Corporativas. O movimento contraria a expectativa de que a escalada das tensões no Oriente Médio, nos primeiros meses do ano, levaria empresas a cortar deslocamentos de trabalho.

De acordo com os dados da agência, o ticket médio das passagens internacionais ficou aproximadamente 20% mais caro na comparação entre os dois semestres. Além disso, houve mudança na composição das rotas: a participação das Américas, tradicionalmente o destino internacional de menor custo, recuou cerca de 2 pontos percentuais, enquanto Europa e Ásia, trajetos mais caros, ganharam peso relativo na carteira.

Essa combinação de aumento de preços por trecho e maior concentração de viagens em destinos de alta tarifa ajuda a explicar a pressão adicional sobre os orçamentos corporativos. A Tour House atribui o encarecimento das passagens a três vetores ligados à instabilidade geopolítica: alta do querosene de aviação – cujo preço praticamente dobrou desde o fim de fevereiro, com projeção de avanço próximo de 90% no ano no Brasil, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) –, desvios de rota para evitar o espaço aéreo de países do Golfo e redução da oferta de assentos em rotas menos rentáveis.

O levantamento indica que as rotas para a Europa são hoje as de maior volatilidade, em razão da combinação entre baixa capacidade de refino de querosene de aviação no continente, dependência de importações e episódios de greve, como os movimentos recentes de pilotos e comissários da Lufthansa, que resultaram em cancelamentos em hubs como Frankfurt e Munique. Num cenário de maior risco operacional, a agência avalia que empresas com gestão ativa de viagens tendem a redirecionar fluxos e rever conexões, enquanto aquelas sem processos estruturados enfrentam mais atrasos e imprevistos.

Diante da pressão de custos e da oferta mais restrita, a Tour House recomenda que companhias reforcem a governança de viagens, com compra antecipada de bilhetes, revisão de políticas internas, roteirização que considere tempo e risco de cada conexão e uso intensivo de dados para acompanhar tarifa por rota, nível de adesão às regras e impacto das remarcações. Segundo a agência, em um mercado com menos assentos disponíveis, a diferença entre reagir aos preços e antecipá-los passa a ser decisiva para o resultado anual das empresas.

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