O Grupo Volkswagen planeja reduzir seu portfólio global de modelos em até 50% até 2030. A marca descreve o plano como uma medida necessária para manter sua competitividade diante de um cenário de mercado cada vez mais disputado.
O objetivo principal é enxugar em 75% o que a fabricante alemã considera mais complexo na operação. Além de descontinuar modelos, a VW também pretende reduzir as opções de motorização, pacotes de equipamentos e versões. A meta é evitar que marcas diferentes dentro do grupo dupliquem o trabalho de engenharia.
A empresa afirma ter atingido metas operacionais nos últimos três anos, mas reconhece que precisa se tornar mais eficiente. O objetivo é buscar um retorno financeiro que oscile entre 8% e 10%. A capacidade de produção será ajustada para 9 milhões de veículos anuais, devendo manter o volume registrado entre 2024 e 2025.

A reestruturação não se limitará aos produtos. Fontes indicam que a Volkswagen estuda o fechamento de quatro fábricas na Alemanha, com possível demissão em massa. Até 100.000 colaboradores podem ficar sem emprego, em um movimento que seria a maior reestruturação da história da indústria automotiva.
O diretor financeiro, Arno Antlitz, justificou a medida afirmando que “as reduções de custos planejadas até o momento nos programas acordados não são suficientes no atual contexto econômico e geopolítico”,
Quem fica e quem sai

O comunicado oficial não informou uma lista de carros que sairão de linha, mas a estratégia foca em concentrar investimentos nos segmentos que entregam o maior valor. Modelos de alto volume, como Polo, Golf, T-Roc e Tiguan, devem permanecer. Por outro lado, carros de nicho como é o caso do T-Roc Cabriolet e o SUV cupê ID.5, podem deixar de ser produzidos.
Mais abaixo na gama, o crossover Taigo (a versão europeia do Nivus) tem sua posição ameaçada pela concorrência interna com o T-Cross. Já o Polo a combustão, que está entre os líderes de venda da categoria no Brasil, deve deixar o mercado europeu para ceder espaço ao futuro ID. Polo elétrico.

A Skoda deve seguir, mas pode perder modelos como o hatch Scala a longo prazo. A Seat deve manter um papel menor e focado em modelos acessíveis, enquanto a Cupra, que tem uma gama de maior valor agregado, deve sofrer cortes maiores.
No caso da Audi, a marca já iniciou um processo de simplificação com o fim do subcompacto A1 e do SUV Q2, que devem ser absorvidos pelo futuro A2 e-tron. Em Stuttgart, a Porsche mantém as linhas 911, Cayenne e Macan como pilares, mas estuda fundir os sedãs Taycan e Panamera em um único modelo, além de reduzir a complexidade de variantes de sua gama.

A Lamborghini recentemente suspendeu os planos para seu primeiro veículo elétrico. Há algumas semanas, também surgiram boatos de uma possível venda envolvendo a Lamborghini e a Ducati. Na China, onde o portfólio do grupo cresceu de forma agressiva nos últimos anos, a tendência é de encolhimento.
Para os executivos da marca, o retrocesso é um plano para que “até 2030 o Grupo Volkswagen seja a empresa automotiva mais atraente do mundo, com marcas icônicas, produtos inspiradores, tecnologias de ponta e resultados financeiros sólidos”.
