Instituto Arte no Dique abre escola gratuita de audiovisual


Quantas histórias incríveis você acha que existem escondidas nos becos, nas esquinas e dentro das casas da Zona Noroeste? A gente costuma ver a periferia sendo retratada sempre pelo olhar de quem vem de fora. Muitas vezes, essas lentes focam apenas no problema ou no clichê. Mas e se a própria galera que vive a realidade da Vila Gilda pegasse a câmera na mão? E se ela mesma decidisse ditar o ritmo da narrativa?


Júlio Lucena / Divulgação

Essa provocação deixa de ser apenas um desejo e vira realidade prática. O Instituto Arte no Dique, que a gente conhece bem por ser um dos pilares de transformação social na nossa região, inaugura a Escola Popular de Cinema Glauber Rocha. A ideia é formar profissionais e revelar talentos. Além disso, quer levar o cinema feito na periferia de Santos para o mundo.

A inauguração rola às 19 horas, na sede do Instituto, no Dique da Vila Gilda. Além disso, terá um convidado de honra que conhece bem o peso desse nome: Pedro Paulo Rocha, filho do lendário cineasta Glauber Rocha, estará presente para celebrar esse marco.

Muito mais que apertar o botão ‘REC’

Quem pensa que o curso vai ensinar apenas a apertar o botão de gravar está enganado. A proposta do Arte no Dique é criar uma formação completa. Há mais de duas décadas, o projeto não brinca em serviço quando o assunto é oferecer oportunidade onde o Estado, muitas vezes, não chega.

Estamos falando de dez meses de imersão, com aulas que passam pela teoria e história do cinema. Depois, vem o “mão na massa” total: roteiro, direção, fotografia, som, montagem e direção de arte. Ou seja, o aluno sai de lá entendendo como se faz um filme do início ao fim.

O Zé Virgílio, presidente do Instituto, resumiu muito bem a pegada: o lugar onde a criança ou o jovem nasce não precisa ser o limite do alcance deles. E o audiovisual aqui entra como ferramenta de poder. Com recursos vindos de emenda parlamentar, a escola chega equipada com tecnologia profissional — câmeras, iluminação e computadores de edição. Assim, garante que o aprendizado não seja amador. É equipamento de verdade para contar histórias de verdade.

Intercâmbio entre Santos e o mundo

A coordenadora do projeto, Juliana Rodrigues, reforça um ponto que a gente aqui no Juicy adora: o protagonismo. A escola quer que as histórias partam da vivência dos alunos. Não é apenas importar com um roteiro pronto, é olhar para o próprio quintal e transformar isso em arte.

E a ambição é grande (e a gente torce muito por isso): a intenção é que os filmes produzidos ali não fiquem apenas no circuito interno. O plano é inscrever as obras em mostras e festivais Brasil afora e, quem sabe, ganhar o mundo. Inclusive, já rola uma articulação de parceria na França. Isso seria uma baita vitrine para os talentos da nossa Zona Noroeste.

Escolher Glauber Rocha para dar nome à escola não é por acaso. O cineasta foi um dos maiores expoentes de um cinema que não tinha medo de encarar o Brasil real, as nossas contradições e a nossa identidade. Ao trazer esse nome para a Vila Gilda, o Instituto faz uma ponte simbólica poderosa. Assim, a periferia de Santos deixa de ser apenas cenário e assume o lugar de autora.

É um passo fundamental para que a gente pare de ver a nossa região apenas como um ponto no mapa. Que venham os primeiros curtas, documentários e longas dessa galera!

Serviço

Inauguração da Escola Popular de Cinema Glauber Rocha
Instituto Arte no Dique — Dique da Vila Gilda, Santos
8 de outubro de 2026, às 19 horas
Evento gratuito
Para mais informações acesse o site Arte no Dique ou acompanhe o projeto nas redes sociais

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