JPMorgan espera dividendos fartos da Ultrapar (UGPA3) e reitera compra; entenda


A Ultrapar (UGPA3) deve acelerar o retorno de capital aos acionistas nos próximos anos, causado por um ambiente operacional favorável no refino e na distribuição nacional. Em relatório, os analistas do JPMorgan afirmam que o mercado pode estar subestimando a capacidade de resiliência das distribuidoras brasileiras.

Dentro desse contexto, o banco de investimentos reitera recomendação de compra para as ações da Ultrapar, projetando que a rápida desalavancagem financeira dará flexibilidade para o pagamento de R$ 2,8 bilhões em proventos já em 2026.

Os analistas ainda justificam que a companhia reúne fatores estruturais únicos para converter sua eficiência operacional em ganhos expressivos para quem carrega os seus papéis.

O otimismo do JPMorgan se apoia na combinação de uma forte disciplina financeira, blindagem contra flutuações externas e uma captura consistente de margens operacionais elevadas.

“Apoiados por um piso de rentabilidade estruturalmente mais forte, um balanço robusto e a contínua formalização do setor, continuamos a ver um perfil de risco-retorno atraente para a Ultrapar”, destaca o relatório.

Margens altas e ambiente competitivo saudável

De acordo com o documento, o mercado brasileiro de distribuição tem se beneficiado de uma combinação de demanda interna firme e maior racionalidade comercial entre os competidores. 

O JPMorgan mostra que um bom exemplo dessa dinâmica está na comercialização do diesel. No varejo nacional, as margens integradas do combustível (que somam os ganhos de distribuidores e revendedores) saltaram de uma média histórica próxima de R$ 0,95 por litro para um pico de R$ 1,75 por litro entre os meses de abril e maio, alcançando estabilidade em um patamar ainda elevado de R$ 1,50 por litro recentemente.

Essa sustentação de preços ocorre conforme os custos de importação caem, permitindo que as grandes companhias recomponham seu caixa sem sobressaltos.

“Em nossa visão, o repasse gradual dos custos de importação mais baixos, combinado com um ambiente competitivo mais racional e a contínua formalização do setor, deve manter a rentabilidade do setor estruturalmente mais alta, mesmo com a normalização das margens em relação aos níveis atuais”, explicam os analistas.

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Desalavancagem rápida

O resultado direto desse ambiente operacional construtivo é uma velocidade de acumulação de caixa muito acima da média histórica. O JPMorgan estima que a Ultrapar consiga entregar cerca de R$ 3,8 bilhões de FCFE (Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) ao longo de 2026, montante que representa um rendimento de 11,2% sobre o valor da empresa.

Com essa entrada expressiva de recursos, a empresa tem espaço para reduzir seu endividamento bem rápido. Caso opte por reter integralmente o caixa e não realizar novos pagamentos de proventos, a relação de alavancagem medida pela DL/EBITDA (Dívida Líquida sobre Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve recuar para confortáveis 0,8 vez até o término de 2026. 

Os analistas avaliam que essa folga de balanço se manterá firme mesmo em cenários de estresse nos próximos anos.

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“É importante destacar que, mesmo assumindo que as margens de distribuição de combustíveis se normalizem em 2027 para R$ 195/m³ – um patamar razoável dados os níveis atuais –, a alavancagem ainda cairia ainda mais para 0,7x DL/EBITDA, amparada pela forte geração de caixa acumulada ao longo do período”, ressalta o documento.

Proventos

Como a Ultrapar não possui no radar grandes projetos de aquisição de ativos no curto prazo e seu balanço já se encontra amplamente equacionado, o JPMorgan avalia que o destino natural do excedente financeiro acumulado será a remuneração direta de seus investidores.

O banco projeta que uma distribuição de R$ 2,8 bilhões em dividendos em 2026 é um cenário perfeitamente viável para a companhia. 

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Esse montante equivaleria a uma taxa de retorno aos investidores de 8,2%, sem colocar em risco a liquidez corporativa. Sob essa premissa de distribuição agressiva, o endividamento geral subiria para apenas 1,1 vez a relação entre dívida líquida e geração operacional.

Com os cofres cheios e sem gargalos de capital no horizonte, a distribuição de lucros extras vira a tese central do papel.

“Dada essa trajetória de desalavancagem, acreditamos que a probabilidade de distribuições adicionais de dividendos aumentou significativamente”, afirmam os analistas do JPMorgan.

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