A Conferência anual da Berkshire Hathaway, holding que foi capitaneada por Warren Buffett até 2025, acontece neste fim de semana. Considerada quase um festival para investidores de todo o mundo, o evento será o primeiro com Greg Abel como CEO da holding.
Enquanto o mercado ainda especula se Buffett fará participação, a reunião, que tem como slogan “O Legado Continua”, terá o condão de apresentar as visões de Abel em um contexto diferente do geralmente enfrentado por seu antecessor: ações em queda.
Até quarta-feira, as ações Classe B ficaram atrás do índice S&P 500 em mais de 37 pontos percentuais nos últimos doze meses, o pior período de um ano desde 2000. Isso, por sua vez, fez com que o valor de mercado da Berkshire recuasse US$ 139 bilhões nesse intervalo.
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Impulsionadas pela celebrada capacidade de Buffett de escolher ações e alocar capital com astúcia, as ações da companhia rotineiramente superaram o S&P 500 ao longo de seus 61 anos de história como conglomerado.
Embora a diferença tenha se estreitado nas últimas décadas, o desempenho continua impressionante: as ações Classe B da Berkshire registraram um ganho médio anual de 11% desde 1997, sob o comando de Buffett — um ponto percentual acima do retorno total anualizado do S&P 500 nesse mesmo período.
Parte dessa apreensão também é visível na relação preço/valor patrimonial (price-to-book) da Berkshire. Esse indicador vem caindo no último ano e agora está em cerca de 1,4, em comparação com quase 1,8 antes da assembleia anual do ano passado — embora já tenha sido tanto mais alto quanto mais baixo ao longo da história da empresa.
Como resultado, os investidores estavam dispostos a pagar um chamado “prêmio Buffett”, normalmente avaliando as ações da companhia acima do mercado em geral.
Mas, embora Abel tenha prometido seguir a abordagem de Buffett para investir e gerir riscos pode levar anos até que os acionistas se sintam seguros de que Abel consegue se aproximar do toque de investidor de seu predecessor.