Morro de Santos guarda milagre atribuído à padroeira e surpreende com mais de 400 degraus e bondinho de 99 anos
Quem olha para o Monte Serrat hoje encontra um dos principais mirantes de Santos. Mas, há mais de quatro séculos, o morro já estava ligado a uma história que atravessou gerações e acabou associada a um milagre de Nossa Senhora do Monte Serrat, atual padroeira da cidade.
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No alto dos cerca de 147 metros, a tradição religiosa divide espaço com uma escadaria de 402 degraus e um bondinho inaugurado em 1927. O funicular percorre 242 metros da encosta em aproximadamente quatro minutos e, depois de 99 anos, continua levando moradores e visitantes até o topo.
Bilheteria do Monte Serrat preserva a referência à inauguração, em 1927, do sistema que passou a ligar a base ao alto do morro (Foto: Paulo Carmona Sanches Neto/Wikimedia Commons)Vista do Monte Serrat reúne o Centro de Santos, o estuário, parte do Porto e as montanhas que cercam a Baixada Santista (Foto: Eduardo Gatti/Wikimedia Commons). Fiéis se reúnem diante da Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira de Santos desde a década de 1950 (Foto: Nair Bueno/DL)Vista aérea mostra a capela e a área no topo do Monte Serrat, ponto que reúne fé, história e uma das paisagens mais conhecidas de Santos (Foto: Nair Bueno/DL)Fotografia histórica feita do Monte Serrat mostra o Centro e o Porto de Santos antes da verticalização que transformou a paisagem da cidade (Foto: Leopold Schuhmacher/Wikimedia Commons)Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat ocupa o alto do morro e mantém viva uma devoção iniciada ainda no período colonial (Foto: Nair Bueno/DL)Estação do Monte Serrat integra o complexo do funicular que começou a transportar passageiros pela encosta em 1927 (Foto: Mike Peel/Wikimedia Commons)Bilheteria do Monte Serrat preserva a referência à inauguração, em 1927, do sistema que passou a ligar a base ao alto do morro (Foto: Paulo Carmona Sanches Neto/Wikimedia Commons)Moradias ocupam a encosta do Monte Serrat, onde o funicular também faz parte da rotina da comunidade que vive no morro (Foto: Nair Bueno/DL)
Milagre no Monte Serrat virou parte da história de Santos
A história começa no período das invasões de corsários. Segundo a tradição preservada em Santos, moradores correram para o Monte Serrat durante a chegada de uma esquadra holandesa e buscaram abrigo nas proximidades da capela dedicada à santa.
Os invasores teriam seguido pela encosta atrás da população. Antes de alcançar o topo, porém, um deslizamento de terra e pedras teria atingido parte do caminho e feito os corsários recuarem.
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Para os moradores, não foi apenas um acidente. O episódio passou a ser atribuído à proteção de Nossa Senhora do Monte Serrat e ajudou a fortalecer a devoção à santa na cidade.
Os registros históricos confirmam a presença da esquadra de Joris van Spilbergen na região e os confrontos com os moradores, mas não mencionam o deslizamento. A tradição também coloca o episódio em 1614, enquanto os documentos apontam a chegada dos holandeses para janeiro de 1615.
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Nossa Senhora do Monte Serrat virou padroeira da cidade
A relação da santa com o morro começou antes mesmo dessa história. Em 1599, D. Francisco de Sousa determinou a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora de Montserrat, devoção originária da Catalunha, na Espanha.
Poucos anos depois, em 1604, o local passou a ser conhecido como Monte Serrat. Desde 1652, a capela ficou sob os cuidados dos monges beneditinos, mantendo a presença religiosa no alto da encosta ao longo dos séculos.
A devoção ganhou reconhecimento oficial muito mais tarde. Em 1954, Nossa Senhora do Monte Serrat foi declarada padroeira de Santos. No ano seguinte, em 8 de setembro de 1955, a santa foi coroada em uma cerimônia que consolidou ainda mais sua ligação com a cidade.
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Mais de 400 degraus levam ao santuário
De fato, quem decide fazer o caminho a pé encara 402 degraus até o topo. A escadaria passa por 14 nichos que representam as estações da Via-Sacra e acompanha os visitantes até o santuário.
O percurso ganhou ainda mais significado para os fiéis durante as festas da padroeira. A imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat tradicionalmente percorre a escadaria em meio às celebrações de setembro.
Para quem não quer enfrentar os mais de 400 degraus, o morro oferece uma alternativa que já faz parte da paisagem de Santos há quase um século.
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Bondinho de 99 anos ainda sobe o Monte Serrat
A construção do funicular começou em 1910, mas a obra sofreu atrasos e só foi concluída anos depois. Em 1º de junho de 1927, os bondinhos começaram a transportar passageiros pela encosta.
O sistema funciona com dois carros que se movimentam de forma sincronizada e se cruzam no trecho central. Cada um comporta até 45 passageiros, enquanto o percurso tem 242 metros e dura cerca de quatro minutos.
O transporte não atende apenas quem visita o Monte Serrat. Moradores da comunidade instalada no morro também utilizam o funicular no dia a dia.
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Na alta temporada, a estrutura pode realizar cerca de 60 viagens por dia.
Monte Serrat já teve cassino de luxo
O bondinho ajudou a transformar o alto do morro em um ponto de encontro da cidade. Em 1927, o complexo ganhou um salão de festas e, alguns anos depois, em 1934, recebeu um cassino.
O espaço tinha mármore de Carrara, vitrais belgas, tecidos franceses e peças de cristal e prata. Além disso, recebeu artistas que estavam entre os grandes nomes da música brasileira, como Carmen Miranda, Francisco Alves e Sílvio Caldas.
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A localização também favorecia o movimento. Santos vivia um período de forte atividade portuária, enquanto empresários, políticos, integrantes da elite ligada ao café e estrangeiros que chegavam em transatlânticos circulavam pela cidade.
A fase do cassino terminou em 1946, quando o governo federal proibiu os jogos de azar no Brasil.
O prédio permaneceu no alto do Monte Serrat e, depois de uma reforma realizada em 1998, passou a receber eventos, apresentações e atividades culturais.