Mais de um ano após ser baleada em Santos, no litoral de São Paulo, durante uma emboscada atribuída ao ex-companheiro, uma mulher de 28 anos anos ainda enfrenta as consequências físicas e psicológicas do crime. Ela ficou paraplégica, depende da ajuda de outras pessoas para atividades do dia a dia e convive com medo de sofrer um novo ataque.

As informações foram relatadas pelo advogado Matheus Ladislau, que representa a vítima. A mulher passou um longo período acamada e chegou a ficar sob sedação por cerca de um mês e meio. Mesmo com o tratamento, ela ainda apresenta dificuldades de movimento e permanece com o projétil alojado na coluna. “Está sendo todo um processo muito devagar, muito doloroso”, relatou Ladislau.

George Antonio Lunardi, de 63 anos, é acusado de encomendar o atentado contra sua ex-mulher na saída de uma academia no bairro Bom Retiro, na Zona Noroeste de Santos, em setembro do ano passado. A vítima foi atingida pelas costas com pelo menos um disparo, após ser abordada por duas mulheres em um ponto de ônibus próximo à academia. A autora do disparo, Elisabete Cristina, permanece foragida.

George Antônio Lunardi foi preso seis dias após o crime

Além das sequelas físicas, a vítima enfrenta crises de pânico e faz uso de medicamentos, com acompanhamento psicológico e psiquiátrico. “Ela tem sequelas psicológicas, ela mora em um pesadelo”, disse o advogado. De acordo com ele, a mulher também precisou mudar de endereço por medo de novos ataques. Mesmo com o ex-companheiro preso preventivamente, ela teme que ele possa agir por meio de outras pessoas.

As investigações apontaram que Lunardi foi o autor intelectual do crime, que teria sido motivado por conflitos familiares e descumprimento de medida protetiva.

O advogado afirmou, ainda, que o filho do casal era usado pelo acusado como justificativa para manter contato com a vítima. Os dois estavam separados quando ela procurou a Justiça para resolver questões relacionadas à guarda e à pensão da criança. Conforme o relato de Ladislau, o ex-companheiro insistia em um modelo de guarda que exigiria contato frequente entre os dois e as ameaças e agressões teriam se intensificado durante os conflitos.

Acusado vai a júri

George vai a júri popular após decisão da juíza Denise Gomes Bezerra Mota, da Vara do Júri de Santos, para quem há prova da materialidade da tentativa de feminicídio e indícios suficientes de autoria que autorizam o julgamento popular.

Preso preventivamente, o radialista nega ter tramado o crime e pode recorrer. Apontada como a executora da emboscada junto com a filha adolescente, Elisabete Cristina Matias dos Santos, de 34 anos, não foi localizada para citação pessoal, sendo suspensos o processo e o curso do prazo prescricional em relação a ela. A comparsa de Lunardi também teve a custódia cautelar decretada e ostenta o status de procurada.

Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *