Bancos de investimento avaliam que uma eventual venda da operadora TIM Brasil exigiria a associação de um investidor estratégico com um fundo para viabilizar uma operação estimada em R$ 40 bilhões. A controladora Poste Italiane deve apresentar seus planos no primeiro trimestre de 2027.RESUMO +
Uma eventual venda da TIM Brasil deve exigir a associação de um investidor estratégico com um fundo para acomodar uma operação estimada em cerca de R$ 40 bilhões, o que a colocaria entre as maiores operações de M&A do Brasil. Essa é a avaliação de bancos de investimento ouvidos com exclusividade pelo EXAME Insight, que já fazem contas sobre o futuro da operadora após a mudança de controle de sua matriz italiana.
O tamanho do cheque é um dos principais desafios. Na avaliação desses interlocutores, seria uma aquisição “muito grande” para um único comprador, o que favorece uma composição entre um sócio do setor e um investidor financeiro. A estimativa ainda é preliminar: não há uma transação estruturada nem preço acertado.
A movimentação dos bancos em torno de uma possível venda foi noticiada pelo Valor Econômico nesta terça-feira, 3. A TIM, porém, não foi formalmente colocada no mercado. O debate ganhou força depois que a Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia, sinalizou que a operação brasileira não está no centro de sua estratégia.
Ligação Itália-Brasil
A discussão sobre o destino da TIM brasileira decorre de uma mudança na Itália. A Poste Italiane passou a deter aproximadamente 87% da Telecom Italia após uma oferta pública e compras adicionais de ações. Com isso, tornou-se também a controladora indireta da operação brasileira.
Na semana passada, Matteo Del Fante, presidente-executivo da Poste, afirmou que a TIM Brasil é lucrativa e gera caixa, mas não é estratégica para o projeto do grupo. Também disse que a empresa não está à venda e que será utilizada de maneira “tática” nos próximos meses. A prioridade da nova controladora é ampliar a atuação em serviços digitais na Itália.
Abrir mão da subsidiária brasileira, de qualquer forma, teria peso relevante nas contas da matriz. A Telecom Italia possui cerca de 68% da TIM Brasil, que responde por quase metade do resultado operacional do grupo. O negócio é avaliado em R$ 31,8 bilhões, considerando enterprise value. Soma-se a isso eventual prêmio pela operação e chega-se no valor estimado pelo mercado.
O perfil dos potenciais compradores também importa. Uma aquisição por Vivo ou Claro esbarraria na concentração do mercado móvel: a soma da TIM a qualquer uma das duas reuniria mais da metade dos acessos do país. Na leitura de mercado, esse obstáculo favorece uma composição que preserve a operadora como concorrente independente.
O próximo sinal mais claro deve vir no primeiro trimestre de 2027, quando a Poste pretende apresentar o plano de negócios do grupo combinado. Até lá, os bancos trabalham com possibilidades. A venda é uma delas; a decisão dos italianos ainda está em aberto.
‘Perguntas frequentes’
Quanto pode valer uma eventual venda da TIM Brasil? +
Uma eventual venda da TIM Brasil pode movimentar cerca de R$ 40 bilhões, segundo estimativa preliminar de bancos de investimento ouvidos pelo EXAME Insight. O cálculo considera o enterprise value de R$ 31,8 bilhões e um possível prêmio pela operação.
A Poste Italiane pretende vender a TIM Brasil? +
Por que Vivo e Claro enfrentariam obstáculos para comprar a TIM Brasil? +
Uma aquisição da TIM Brasil pela Vivo ou pela Claro esbarraria na concentração do mercado móvel, pois a combinação reuniria mais da metade dos acessos do país. Na avaliação do mercado, esse obstáculo favorece uma estrutura que mantenha a TIM Brasil como concorrente independente.
Quando deve haver uma definição sobre o futuro da TIM Brasil? +
O próximo sinal deve surgir no primeiro trimestre de 2027, quando a Poste Italiane pretende apresentar o plano de negócios do grupo combinado. Até lá, a venda permanece apenas como uma das possibilidades avaliadas pelos bancos.