Tem neve no quintal de casa, lareira acesa e personagens usando roupas pesadas para se proteger do frio. Esse é o Natal que a gente vê nos filmes e séries. E quem assiste provavelmente está com o ventilador ligado naquele calor que só quem é brasileiro sabe.
Você já parou para questionar que, durante anos, esse foi o cenário que dominou boa parte das histórias natalinas que chegaram até nós?
E se uma criança brasileira pudesse encontrar magia em uma história que tivesse a cara dela?
Uma narrativa com calor, chuva de verão, bichos brasileiros, família reunida em casa e aquele tipo de imaginação que transforma qualquer canto da sala em cenário de aventura.
A resposta começou a nascer longe de Santos, em uma casa lá na Alemanha. Porém, olhando com mais atenção, ela nasceu muito antes, aqui na Zona Noroeste de Santos.
Antes do duende, veio o menino
A criatividade tinha outro ritmo para quem cresceu antes da internet ocupar o cotidiano.
Uma folha em branco vira nave espacial, a rua é espaço infinito onde a imaginação guarda histórias suficientes para preencher um dia inteiro de aventuras.
Foi nesse tipo de infância que Wagner Rodrigues Silvestre viveu seus primeiros anos.
Nascido e criado na Zona Noroeste de Santos, ele aprendeu cedo que a imaginação não precisava de grandes recursos para existir.
Hoje, olhando para o caminho que percorreu, percebe que essa característica da infância acabou aparecendo naturalmente naquilo que escreve.
“Quando somos crianças, uma caixa pode virar um castelo, um quintal pode se transformar em uma floresta e uma simples brincadeira pode criar lembranças que levamos para a vida inteira”, conta.
O curioso é que, mesmo depois de tantos anos vivendo fora do Brasil, essa criança santista nunca desapareceu completamente.
Aos 19 anos, Wagner deixou o país para viver uma aventura que ele mesmo não sabia onde iria terminar. Primeiro, passou quatro anos na Espanha. Depois, mudou-se para a Alemanha, onde construiu uma nova vida.
Lá, estudou Enfermagem e trabalhou durante alguns anos na profissão.
Foi uma experiência que trouxe aprendizados que continuam presentes na forma como ele enxerga o mundo.
A distância aumentou, mas Santos continuou por perto
Existe uma ideia comum de que morar longe significa deixar uma parte da vida para trás. No caso de Wagner, aconteceu quase o contrário.
A distância fez com que ele percebesse ainda mais o valor das memórias que carregava. Mesmo vivendo na Alemanha há 27 anos, ele nunca rompeu a ligação com Santos.
Além disso, quando seus filhos chegaram, essa conexão ganhou um novo significado. Há seis anos, Wagner e o marido adotaram o primeiro filho. Depois, a família cresceu novamente com a chegada do segundo.
Hoje, os dois meninos têm 7 e 3 anos. E foram eles que abriram uma porta que Wagner não imaginava atravessar. Uma porta bem parecida com aquela que, anos depois, apareceria em suas histórias.
Dois filhos e uma pergunta que mudou tudo
Antes de existir um livro, existia uma rotina.
Todos os dias, antes de dormir, a família tinha um encontro marcado.
Era hora de ler!
No começo, os pequenos ainda não entendiam completamente as histórias. Mesmo assim, estavam ali. Hoje, são os próprios filhos que lembram quando chega a hora da leitura.
Para Wagner, foi nesse espaço entre uma página e outra que surgiu a vontade de criar algo diferente. Ele começou a inventar histórias para transformar o mês de dezembro em uma experiência especial dentro de casa.
Porém, Wagner não queria apenas adaptar uma fantasia que já existia. Ele queria criar uma história em que uma criança brasileira pudesse olhar e pensar: “Isso poderia acontecer aqui em casa.”
A magia decidiu falar português
A ideia parecia simples, mas envolvia uma mudança de perspectiva. Grande parte do imaginário natalino infantil foi construído olhando para referências de outros países.
E elas fazem sentido dentro das próprias culturas. O problema é que muitas crianças brasileiras cresceram tentando imaginar uma realidade que não era exatamente a delas.

Foi aí que Wagner começou a construir o Universo dos Duendes.
Um projeto que nasceu dentro da própria família e ganhou forma como uma coleção de livros infantis. A proposta era criar um universo em que a criança reconhecesse a própria realidade.
O protagonista dessa aventura é Gilby, um pequeno duende que convida as famílias para uma experiência que vai muito além da leitura.
O livro acaba e a aventura do Gilby começa
A maioria dos livros infantis segue uma lógica conhecida:
A criança abre a capa.
Conhece os personagens.
Acompanha a aventura.
Fecha o livro.
Fim.
No Universo dos Duendes, Wagner quis inverter esse caminho. Para ele, a história começa justamente quando a leitura termina.
Depois de conhecer Gilby, a criança é convidada a levar aquele universo para dentro de casa. A ideia é que a fantasia deixe de existir apenas nas páginas e passe a fazer parte da rotina da família.
É aí que entra a Portinha do Gilby.

Uma pequena porta instalada em algum canto da casa vira o ponto de encontro entre imaginação e realidade.
Durante as manhãs, a criança pode encontrar uma nova carta deixada pelo duende, descobrir uma pequena travessura feita durante a madrugada ou perceber que alguma surpresa apareceu enquanto todos dormiam.
“A maior conquista nunca será apenas ter escrito livros. Será saber que uma história conseguiu atravessar gerações e continuar criando momentos de carinho, imaginação e convivência dentro das famílias”, explica.
Um duende que nasceu no Brasil e quer visitar muitas casas
O Universo dos Duendes cresceu a partir dessa vontade de criar memória. O projeto reúne três obras que se complementam.
A primeira apresenta Gilby e abre as portas desse universo para as famílias.
A segunda amplia a narrativa com novas histórias e outras possibilidades de interação.
Já o terceiro braço do projeto leva essa proposta para espaços educativos, aproximando imaginação e aprendizagem.
Essa expansão também tem uma relação direta com a trajetória de Wagner. Durante os anos vivendo na Alemanha, ele teve contato com uma forma muito marcante de viver o Natal.
Mais do que decoração ou presentes, chamou sua atenção a maneira como a fantasia fazia parte da rotina das crianças. Quando criou o Universo dos Duendes, ele quis trazer esse sentimento para o Brasil, mas com uma identidade própria.
A primeira parada é na ZN
O primeiro espaço a receber o projeto pedagógico As Travessuras do Duende Lumi foi a Creche Mundo Novo, na Zona Noroeste.
A escolha carrega uma simbologia grande. Foi ali que Wagner viveu parte das próprias descobertas. E foi ali também que ele quis começar uma nova história.
Ao longo dos anos, sempre que volta ao Brasil, ele visita a instituição com os filhos. Nesse período, conheceu o trabalho realizado pela equipe da creche e criou uma relação próxima com a diretora, Angela.
A convivência mostrou que aquele seria o lugar ideal para iniciar o projeto.
Assim, o projeto segue as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e usa a narrativa do Duende Lumi como ferramenta para estimular criatividade, leitura, interação e desenvolvimento das crianças.
A infância passa. As histórias ficam
Existe uma cena que ele imagina quando pensa no futuro: uma criança que hoje conhece o Gilby cresce e anos depois, já adulta, decide apresentar o mesmo universo para os próprios filhos. Contudo ela instala uma nova Portinha do Gilby. Assim, conta sobre as cartas relembra as pequenas surpresas e percebe que aquela história continuou vivendo.
Talvez esse seja o maior desejo por trás do projeto. Não apenas criar leitores, mas também criar momentos
Em um mundo em que as famílias dividem cada vez mais atenção com telas, notificações e uma rotina acelerada, Wagner aposta em algo aparentemente simples: sentar junto e imaginar.
No fim, o Universo dos Duendes nasceu de uma pergunta sobre Natal. Porém, encontrou uma resposta muito maior.
Porque algumas histórias não foram feitas apenas para serem lidas. Foram feitas para serem lembradas.
Serviço
O Universo dos Duendes é um projeto de literatura infantil criado por Wagner Rodrigues Silvestre, com livros e experiências que unem leitura, imaginação e convivência familiar.
O projeto pedagógico As Travessuras do Duende Lumi é baseado nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e começou sua implementação na Creche Mundo Novo, na Zona Noroeste de Santos.
Para acompanhar o projeto e conhecer mais sobre os livros, acesse os canais oficiais do Universo dos Duendes.
