
Após dados operacionais considerados positivos, a Petrobras (PETR3; PETR4) divulga seu balanço do primeiro trimestre de 2026 nesta segunda-feira (11). A petroleira deve apresentar resultado condizente com o já apresentado no relatório de produção e vendas, segundo analistas.
A partir do números operacionais da companhia, que foram apresentados em 30 de abril, as estimativas de analistas de diversas casas se tornaram mais otimistas (veja quadro abaixo). Dois são os principais números que analistas esperam que venham positivos: o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) e os dividendos da petroleira.
Leia mais:
- Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileira
- Temporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho
Para o BofA, a melhora pode ser explicada tanto pelos preços mais altos do Brent, que ficaram em média em US$ 78,4/barril no trimestre, quanto pela maior produção de petróleo, que cresceu 16% ano contra ano.
Recentemente, a casa elevou a Petrobras para compra e mantém a recomendação. A razão da classificação foi crença de que o Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (na sigla em inglês, FCFE) continuaria forte, após incorporação de preços de petróleo mais altos. Mesmo considerando o maior volume de gasto de capital para investimentos (Capex, em inglês) preciso para 2026 e 2027, a expectativa é que o retorno por dividendos (dividend yields, em inglês) se mantenha “bem atrativo”.
Leia mais: Petrobras: prévia indica 1º tri forte e reforça aposta em dividendos de US$ 2,4 bi
Segundo avaliação do Itaú BBA, a combinação do forte desempenho operacional com uma alta de cerca de 23% nos preços do petróleo no trimestre justificaria uma projeção de EBITDA em torno de US$ 12,5 bilhões, o que implicaria crescimento de aproximadamente 14% na comparação trimestral.
O banco também trabalha com a hipótese de um capex de caixa próximo de US$ 4,1 bilhões no período, já assumindo que o investimento total no ano deve superar o guidance oficial, em função do ritmo mais intenso de execução dos projetos de upstream.
Assim, a dinâmica benéfica, mesmo com capex visto como elevado por analistas, é consenso entre as casas, ainda que as projeções para Ebitda e dividendos apresentem variações. Na ponta mais cautelosa, o Goldman Sachs projeta Ebitda de US$ 11,5 bilhões (11% abaixo do consenso Bloomberg), enquanto o Morgan Stanley tem projeção de US$ 13,3 bilhões (consolidado), com potencial de revisão para cima, graças à força de prêmios do pré-sal no mercado internacional.
“Como de costume, o anúncio de dividendos tende a provocar uma reação dos investidores se diferir de forma relevante das expectativas — estimamos dividendos de R$ 11,7 bilhões, ou aproximadamente US$ 2,35 bilhões (R$ 0,91/ação e US$ 0,36/ADR), o que implica um yield em torno de 1,7%”, afirma o BofA.
De olho na teleconferência
Ainda assim, mesmo que os resultados venham fortes como o esperado, investidores seguirão acompanhando com cautela as declarações da administração na teleconferência de resultados, que acontece na manhã desta terça-feira, em busca de sinais sobre a política de preços de combustível.
O BofA destaca que os preços da gasolina seguem muito abaixo da paridade internacional, com desconto de cerca de 40%, o que pode obrigar a administração a se posicionar.
Confira as projeções das principais casas de análise e do consenso LSEG:
| Casa | EBITDA | Dividendos |
|---|---|---|
| Goldman Sachs | US$ 11,5 bilhões (ajustado; 11% abaixo do consenso Bloomberg para o trimestre) | US$ 2,4 bilhões em dividendos ordinários, com base apenas na política de remuneração ordinária da companhia |
| XP Investimentos | cerca de US$ 12,6 bilhões, impulsionado por Brent mais alto e maior produção | US$ 2,4 bilhões (retorno de 1,7%); fluxo de caixa projetado em US$ 2,5 bilhões |
| Itaú BBA | US$ 12,5 bilhões, +14% T/T, sustentado por alta de 23% nos preços do petróleo | US$ 2,4 bilhões em dividendos ordinários (dividend yield de 2,0%), com capex de US$ 4,1 bilhões |
| Morgan Stanley | US$ 13,3 bilhões (consolidado), com potencial de revisão para cima | R$ 0,97/ação (US$ 0,37/ADR), dividend yield de 1,8%; FCF de US$ 1,95 bi após arrendamentos |
| BofA | US$ 12,8 bilhões (alta de 17% T/T e +20% A/A) | R$ 11,7 bilhões, ou cerca de US$ 2,35 bilhões; dividend yield em torno de 1,7% |
| Consenso de analistas ouvidos pela LSEG | cerca de US$ 13,1 bilhões | dividend yield de 1,5% |
