Por que o VW Nivus custa menos que o Polo Track na Argentina?



Já pensou levar para casa um carro maior – e mais refinado – mais barato do que um modelo de entrada? É o caso da Argentina. Por lá, várias marcas passaram por grandes reduções de preços graças às mudanças do ”imposto de luxo”, que afetava diretamente qualquer veículo que não fosse o mais barato da gama. E, com isso, surgiram algumas grandes distorções.

Quer um exemplo? Na gama Volkswagen, a tabela mais recente divulgada pela alemã traz a versão mais barata do SUV Nivus por 33.281.550 pesos (R$ 119.813), enquanto um Polo Track não sai por menos de 37.567.500 (R$ 121.172). A mesma coisa ocorre com outros modelos, como Tera e Virtus. Mas, afinal, o que explica tanta discrepância nas tabelas?






Volkswagen Nivus Highline Outfit 2025 - Teste

Fim do ”imposto de luxo”

A virada na legislação ocorreu quando o presidente do país, Javier Milei, do Partido Libertário, assinou um decreto em janeiro de 2025 para zerar a primeira faixa do chamado imposto interno – uma alíquota de 20% que atingia principalmente os veículos intermediários. Essa taxação extrafiscal, que existia desde a década de 1930 para itens não essenciais, foi eliminada pelo Executivo.

Como esse tributo de caráter regulatório incidia severamente sobre sedãs e SUVs médios, a extinção promovida pela gestão federal provocou uma redução imediata nos preços sugeridos. Nessa, todas as marcas se beneficiaram do alívio fiscal, desde modelos de luxo como Mercedes-Benz até esportivos como os da Porsche tiveram seus valores oficiais cortados pelo ministro da Economia, Luis Caputo, como medida emergencial para reaquecer a movimentação nas concessionárias.

Por outro lado, os carros de entrada já eram isentos dessa alíquota por estarem na base do mercado, o que os deixou de fora dos novos descontos do decreto. Com isso, marcas que atuam com uma gama grande de modelos espremeram a diferença nos preços finais, criando essa sobreposição.

Modelos de entrada com preço congelado graças aos consórcios

Outro grande motivo para os ”populares” não terem tido preços alterados são os consórcios – chamados por lá de planos de poupança – e muito comuns no país vizinho graças à imprevisibilidade do sistema econômico.

As regras locais estipulam que o valor das parcelas pagas pelos clientes inseridos nesses grupos deve ser calculado com base no preço de tabela oficial do veículo de entrada. Se a montadora reduzisse o valor de lista de modelos como o Polo Track para acompanhar o mercado real, o montante arrecadado mensalmente com os consorciados encolheria drasticamente. Essa modalidade, hoje, representa cerca de 35% do total de vendas de carros da Volkswagen na Argentina.



Comparativo Renault Kwid x Citroën C3 x VW Polo Track


Comparativo Renault Kwid x Citroën C3 x VW Polo Track

O que você pensa sobre isso?


Com isso, o preço do modelo fica artificialmente inflado, ainda que nas concessionárias e lojas de revendas a realidade seja outra. Segundo o Autoblog.ar, o hatch compacto está sendo vendido na prática por 26.056.000 pesos, ou cerca de R$ 93.801 na conversão direta. Não é muito diferente do que ocorre por aqui, ainda que a prática seja mais comum em modelos como Fiat Mobi e Renault Kwid, sempre em promoção com valores bem menores que os de tabela.

Ainda segundo os argentinos, nem mesmo a queda nos preços tem animado o mercado local. Como o país passou por uma grande instabilidade nos últimos anos, e o governo também deixou de impor limitações para novas marcas entrarem na briga pelo consumidor local, muitos consumidores estão preferindo ”ver até onde isso vai dar”, esperando mais reduções de preços e novos modelos mais tecnológicos vindos de fora em faixas de preços menores.



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