Preços da gasolina limitam recuperação do setor sucroenergético


O setor sucroenergético brasileiro poderia estar vivendo um ano de recuperação, mas a política de preços da gasolina tem limitado a valorização do etanol, avalia Plinio Nastari, presidente da Datagro.

Segundo ele, o cenário internacional, com preços mais elevados do petróleo e dos combustíveis, deveria favorecer o setor. No entanto, as subvenções ao preço da gasolina estão impedindo os ganhos estimados para este ano.

Nastari afirma que o preço de paridade de importação da gasolina está em cerca de R$ 5,31 por litro, enquanto a distribuidora paga aproximadamente R$ 2,43 por litro. Na refinaria, o preço citado por ele é de R$ 3,06 por litro.

Segundo o executivo, essa diferença cria um teto para o preço do etanol hidratado, que precisa competir diretamente com a gasolina. Como o preço do etanol anidro também é influenciado pelo hidratado, o efeito acaba se espalhando pelo mercado.

“Era para ser o ano da redenção do setor, mas não é por causa dessa situação de irrealismo de preços”, afirmou Nastari.

Etanol ganha competitividade

Apesar desse cenário, o etanol hidratado está mais competitivo para o consumidor. Segundo Nastari, o combustível é atualmente mais vantajoso que a gasolina em cerca de 70% do mercado de veículos do ciclo Otto no Brasil.

Na mesma época de 2025, essa participação era de 33,8%, de acordo com os dados apresentados por ele.

Nastari avalia, porém, que a competitividade poderia ser ainda maior caso não houvesse interferência nos preços da gasolina.

Subvenção ajuda, mas não resolve

O presidente da Datagro também citou a Lei Complementar 235, que estabelece uma subvenção ao etanol quando houver benefício semelhante para a gasolina.

Segundo ele, foi definida uma subvenção de R$ 0,25 por litro para o etanol, além de outro mecanismo que representa R$ 0,19 por litro.

Na avaliação de Nastari, a medida ajuda a gerar renda para o setor, mas o cenário ideal seria permitir que os preços fossem determinados pelo mercado.

“Ajuda, sim, com renda para o setor. Mas, na nossa avaliação, o ideal é que não houvesse realismo tarifário. Deixe o mercado atuar. Para bem ou para mal”, afirmou.

Clima também pressiona o setor

Além da política de preços, o setor enfrenta dificuldades provocadas pelo excesso de chuvas no Centro-Sul. Segundo Nastari, o clima prejudicou a qualidade da matéria-prima, reduziu o ATR e dificultou a execução da colheita.

Esse cenário ocorre justamente em um momento em que o preço do açúcar melhorou e aumentou o incentivo para as usinas direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do adoçante.

Para Nastari, portanto, o setor enfrenta uma combinação de fatores: de um lado, o etanol ganhou competitividade no mercado consumidor; de outro, os preços da gasolina limitam sua valorização, enquanto as condições climáticas dificultam a produção de açúcar.

 

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