*Caio da Marimex
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Falta pouco para mais uma eleição. E, como santista, acredito que há uma pergunta central para o debate político, fundamental não apenas para nossa cidade, mas para toda a região: se Santos abriga o maior porto do país e assume os impactos econômicos, urbanos, sociais e ambientais dessa atividade, qual parcela do investimento público nacional deve retornar aos municípios da Baixada Santista?
Buscar essa resposta deve ser compromisso de todos os candidatos que pretendem representar a região e também daqueles que se apresentam como representantes do Estado de São Paulo.
Em princípio, a resposta não deveria ser difícil. Queremos aquilo que qualquer cidadão espera do poder público: mais segurança, mais saúde, melhor mobilidade, infraestrutura robusta, mais emprego e qualidade de vida. Mas queremos, principalmente, que as necessidades da nossa região deixem de ser tratadas como promessas recorrentes e passem a fazer parte de uma agenda efetiva de desenvolvimento.
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Essa expectativa precisa estar presente na disputa pelas 70 vagas de São Paulo na Câmara dos Deputados e pelas 94 cadeiras da Assembleia Legislativa. São milhares de candidatos buscando representar o estado que forma a maior bancada do Congresso Nacional. É legítimo, portanto, perguntar quantos deles conhecem de fato a realidade da Baixada e quais compromissos concretos estão dispostos a assumir com a região.
Santos tem uma característica que poucas cidades brasileiras possuem. Somos um município com importância que ultrapassa nossas fronteiras. Aqui está o maior complexo portuário da América Latina, por onde passa uma parcela fundamental do comércio exterior brasileiro. Seu funcionamento influencia cadeias produtivas, empresas, trabalhadores e consumidores em todo o país.
O crescimento do Porto e da região depende, naturalmente, do desempenho da economia brasileira. Mas a relação também funciona no sentido inverso. A economia do Brasil também depende de um Porto de Santos eficiente, seguro, moderno e integrado à cidade e à baixada.
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Nossa economia não se resume à atividade portuária. Temos turismo, serviços, indústrias na região, comércio forte e uma extensa cadeia logística que movimenta empregos e riqueza muito além do litoral paulista. Por isso, quando defendemos melhores acessos ao Porto, mais mobilidade, segurança, habitação, qualificação profissional e adaptação às mudanças climáticas, não estamos apresentando apenas uma lista de demandas locais. Estamos falando de investimentos estratégicos para São Paulo e para o Brasil.
É justamente por isso que o debate eleitoral não pode se limitar a manifestações de apoio ou declarações genéricas sobre a importância de Santos. Existem projetos relevantes em andamento e outros que, finalmente, começam a sair do papel. São avanços que precisam ser reconhecidos. Mas reconhecer avanços não significa abrir mão da fiscalização.
Qual é o cronograma? Qual é a prioridade? Quanto será investido? De onde virão os recursos? Quem será responsável pela execução? Quais contrapartidas serão destinadas às comunidades afetadas? E, principalmente, quando o cidadão perceberá os resultados em sua vida cotidiana?
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Essas são as perguntas que o santista precisa fazer.
E as respostas devem abordar temas concretos. Estamos falando sobre os impactos e as desapropriações relacionados ao Túnel Santos-Guarujá, a segurança pública e o enfrentamento ao crime organizado, a separação entre os fluxos urbanos e portuários, a ampliação da mobilidade metropolitana, a capacidade da rede regional de saúde, a proteção contra enchentes, ressacas e elevação do nível do mar, a formação dos jovens para as novas profissões e a destinação das receitas e contrapartidas associadas ao crescimento do Porto.
Também é necessário discutir um mecanismo permanente para que uma parcela da riqueza produzida pela atividade portuária retorne à região. Santos não pode depender somente de emendas parlamentares esporádicas ou de negociações realizadas a cada novo empreendimento. É preciso estabelecer fontes, critérios e prioridades capazes de transformar a importância nacional do Porto em investimentos contínuos nos municípios que suportam diretamente seus impactos.
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Essa cobrança não significa ignorar o que já foi realizado. Significa reconhecer que obras estruturantes exigem continuidade, planejamento e velocidade compatíveis com a dimensão dos problemas que pretendem resolver. Não podemos esperar que os gargalos atinjam um ponto ainda mais crítico para, somente então, decidir o que fazer. O santista espera que as demandas históricas da cidade e da Baixada sejam tratadas de acordo com a importância que realmente possuem.
Santos movimenta o Brasil. É nesse ponto que começa a responsabilidade dos futuros representantes. Candidatos ao Executivo e ao Legislativo precisam olhar para a Baixada não apenas como território eleitoral, mas como parte essencial da estratégia econômica de São Paulo e do Brasil.
Mais do que procurar um santo que faça milagres pela cidade, precisamos escolher representantes que assumam compromissos concretos e sejam capazes de entregá-los. Vamos em frente!